Centro Especial pode fechar as portas
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quinta-feira, 29 de agosto de 2013
Celso Felizardo<br>Reportagem Local 
Londrina - Depois da polêmica envolvendo a possibilidade de fechamento das Associações dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apaes), familiares de pessoas com deficiência vivem outro drama em Londrina. Desde a suspensão de convênio com a Prefeitura, em fevereiro, o Centro de Saúde Especial Getexcel, que presta tratamento odontológico para 4 mil pacientes especiais, trabalha no vermelho com possibilidade de fechar as portas.
O município assumiu o atendimento dos pacientes especiais e garantiu que o Centro de Especialização Odontológico (CEO) está apto a realizar os todos procedimentos necessários. A preocupação, porém, é com a falta de experiência dos profissionais. O traquejo é exigido já na sala de espera. Nervosos, alguns pacientes têm que ser sedados ou envoltos pelo estabilizador de Godoy, instrumento de velcro que mantém os braços juntos ao tórax.
O aposentado Nelson Martins, de 77 anos, acompanha o filho Marcos Antônio, de 42, há 20 anos, desde a fundação da Getexcel. Ele lembra que no início o filho se feriu gravemente durante o atendimento. Sem a sedação, Marcos mordeu o espelho e os cacos lhe cortaram a garganta. "Os profissionais adquiriram experiência que não pode ser desperdiçada. Se o Getexel fechar, quem garante que episódios como esse não ocorram novamente?"
O Centro de Saúde, localizado no Jardim do Sol (zona oeste), conta com três laboratórios. A média de atendimento é de 20 consultas diárias. Ao todo, são nove dentistas, um contratado e oito voluntários. Cerca de 80% dos pacientes são de Londrina e o restante vem de 150 cidades do PR, SC e SP.
Segundo a cirurgiã-dentista do Getexcel, Martha Beatriz Issa, o atendimento dos pacientes especiais em unidades convencionais é um retrocesso. "Esta é uma medida louvável para cidades que não contam com estrutura especializada, mas aqui é um contrassenso", avaliou.
A diretora Nádia Mello informou que o repasse mensal era de R$ 5,6 mil. Atualmente, os gastos se aproximam dos R$ 12 mil. As doações e repasses do Sistema Único de Saúde (SUS) mal cobrem a folha de pagamento, de R$ 8 mil. O investimento em materiais odontológicos e de limpeza elevam a conta que não bate. "Vão economizar esta cifra mas os direitos constitucionais dos pacientes serão esquecidos", lamentou Nádia.
Na quarta-feira, funcionários fizeram uma confraternização para comemorar os 20 anos da entidade. Apesar das dificuldades, eles garantem empenho para atender a todos que necessitam dos serviços. "É uma história bonita que não pode acabar. Vamos torcer para que tudo se resolva da melhor forma", espera Aparecida Antônia de Oliveira, mãe da paciente Maysa Aparecida de Oliveira.
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- Os profissionais estão capacitados


