Centro e Vivi Xavier lideram ocorrência
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terça-feira, 08 de janeiro de 2013
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
O Centro de Londrina e o Conjunto Vivi Xavier (zona norte) lideram as ocorrências com armas de fogo e brancas em 2012, com dez registros cada. Um levantamento realizado pela FOLHA com base nos dados do Corpo de Bombeiros aponta 200 ocorrências com armas de fogo, que resultaram em 218 vítimas; e 84 por arma branca, com 84 vítimas. Ainda segundo os dados dos bombeiros, 86 pessoas morreram em atendimento pré-hospitalar. De acordo com a Polícia Civil, no ano passado aconteceram 111 homicídios.
O Conjunto Vivi Xavier aparece com sete ocorrências envolvendo armas de fogo e três com armas brancas; e o Centro aparece com seis registros de atendimentos a vítimas de arma de fogo e quatro de arma branca. Figuram ainda entre os bairros com mais ocorrências o Jardim União da Vitória (seis de arma de fogo e duas de arma branca) e os jardins Interlagos e Leonor empatados com seis ocorrências.
Se forem consideradas apenas as vias, oito se destacam: Avenida Higienópolis (Centro), Rua Leila Diniz (Vivi Xavier), Rua Amendoinzeiro (Leonor - zona oeste), Avenida Vicente Bocuti (Maria Lúcia - zona oeste), Rua Josias de Souza (Novo Amparo - zona leste), Rua Pantanal (Santiago - zona oeste), Rua Camilo Simões (Universitário - zona oeste) e Rua Atílio Scudeler (Vila Portuguesa - região central). Em cada uma delas foram registradas duas ocorrências.
Na Área Central, um dos crimes de maior repercussão aconteceu em dezembro - o assassinato de Lucas Ferraciolli, de 18 anos, que teria motivação homofóbica. A comerciante Taís Delbelo, de 36 anos, relatou ter ficado chocada com a morte. "A gente não tem mais segurança para se divertir e andar na rua. Mesmo no trabalho é perigoso. Aqui na rua também assaltaram uma loja de tintas a mão armada", revelou.
Em outro ponto da cidade a moradora da Rua Borba Gato, Patrícia Moura, de 28 anos, lembrou que em dezembro do ano passado conversava com amigos quando ouviu quatro disparos de arma de fogo. "Viaturas do Siate passaram em frente, fui ao local e vi uma mulher caída e vários policiais e curiosos em volta", contou. A dona de casa Maria Aparecida Kapka disse que a vítima, de 32 anos, foi colega de escola de seus filhos. "Não dá mais passar por aqui à noite. É perigoso demais", apontou.
Circunstâncias
Para o porta-voz do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM), capitão Nelson Villa Junior, o fato desses locais terem registrado mais ocorrências não significa que são os mais violentos da cidade. "No bairro Nossa Senhora da Paz, por exemplo, há a tendência de ter mais homicídios, mas lá eles não aconteceram por causa do combate intenso da PM. Por outro lado, nos outros locais foram registradas as ocorrências devido a algumas circunstâncias", declarou. Ele explicou que um homicídio no Jardim Bandeirantes motivou o revide do grupo rival, que resultou em duas mortes no Vivi Xavier. O episódio gerou mais uma morte em um hospital de Cambé (Região Metropolitana de Londrina).
"Em episódios de revide ou acerto de contas, as pessoas atiram nos seus alvos estejam onde estiverem, mas não quer dizer que onde eles foram executados sejam os mais violentos", defendeu capitão Villa. Há também o caso de suspeitos de roubo que foram mortos em um caixa eletrônico na Avenida Higienópolis (região central).
O delegado-chefe da 10ª Subdivisão da Polícia Civil de Londrina, Márcio Amaro, afirmou que 90% dos homicídios estão ligados ao tráfico e quando há a repressão policial em determinado bairro, as ocorrências acabam migrando. Ele explicou que no meio disso há várias situações de acertos de contas e revides que são difíceis de serem evitados, pois não há como prever onde eles acontecerão. "Há também situações de brigas, ou de pessoas que se embriagam demais e que também não há como controlar isso", ressaltou.



