Luciana Pombo
De Curitiba
A Polícia Civil adiantou ontem a transferência de cerca de 100 presos, da unidade policial da Vila Isabel, em Curitiba, para o Centro de Triagem da Travessa da Lapa, no anel central da cidade. A megaoperação, que deveria ocorrer no início da tarde, começou às 7 horas da manhã, com a mobilização de 60 policiais civis e 20 militares. ‘‘Adiantamos a operação por uma necessidade estratégica. Anunciamos num horário e realizamos em outro, quando o movimento em Curitiba ainda é pequeno’’, explicou Clóvis Galvão, delegado titular da Divisão de Investigações Criminais.
Apesar de ter mais presos do que a capacidade (para 90 pessoas), Galvão não acredita que a segurança da população local esteja comprometida. ‘‘Aqui será muito mais difícil de se conseguir fugir’’, afirmou ele. Diariamente, o Centro de Triagem terá um esquema especial de plantão, com quatro investigadores, fiscalização de um delegado 24 horas e guarda externa feita pela Polícia Militar. Além do aparato de fiscalização eletrônica, através de câmeras de vídeos nas 16 celas e sistema de alarme. ‘‘Aqui estão os presos mais perigosos da cidade, todos condenados e aguardando vagas no sistema penitenciário. Mas a população poderá ficar tranquila. Esta é a prisão mais segura do Estado’’, declarou João Ricardo Képes de Noronha, delegado geral da Polícia Civil. Os policiais de plantão não poderão dormir em serviço. ‘‘Polícia não dorme. Ficarão três plantonistas circulando pelos corredores e um fiscalizando o monitor’’, explicou Galvão. Os presos terão ainda uma programação de visitas mensais. Cada um deles terá direito a duas visitas por mês.
O Centro de Triagem da Travessa da Lapa foi totalmente reformado para abrigar os detentos que estavam na Vila Isabel. O custo da reforma foi de R$ 88 mil. As obras, que deveriam ter ficado concluídas em novembro, atrasaram por causa da chuva e da mudança do projeto original. O novo ‘‘cadeião’’ fica dentro do pátio onde funcionam a Delegacia de Estelionato e Desvio de Cargas, Centro de Abastecimento da Polícia Civil de Curitiba e Região Metropolitana e o Almoxarifado. Em frente ao prédio, na entrada pela Barão do Rio Branco, está o Centro de Convenções da cidade e as Delegacias de Vigilância e Capturas e Homicídios. ‘‘Temos uma responsabilidade muito grande nas mãos, que é evitar a possibilidade de fugas nesta região. E faremos isto’’, disse Galvão.
A Operação Volta para a Casa, como foi chamada pela Polícia Civil, contou com o apoio de cinco viaturas e três ônibus para o transporte dos presos e mais de dez carros para o auxílio de segurança.