Imagem ilustrativa da imagem Centro de Queimaduras de Londrina realizou 1,7 mil cirurgias em 2018
| Foto: Rei Santos 15/09/2016

Desde que o CTQ (Centro de Tratamento de Queimaduras) foi inaugurado nas dependências do HU (Hospital Universitário) de Londrina, há 12 anos, o ritmo de trabalho das equipes é intenso. Por dia, a média é de oito procedimentos curativos e até quatro cirurgias para enxerto de pele. Somente em 2018, o número de intervenções cirúrgicas chegou a 1.760 (média de 4,8 cirurgias/dia), e neste ano já são 739.

Os números provocam muita preocupação entre os profissionais, pois as causas são evitáveis. Por isso, todos os anos, eles aproveitam o 6 de junho – Dia Nacional de Luta contra Queimaduras – para falar sobre medidas preventivas com a população.

Em Londrina, uma equipe do CTQ distribuiu gibis educativos para crianças e folhetos com informações sobre primeiros socorros para os adultos, na manhã de quinta-feira (6), no Calçadão. “A queimadura é um acidente e, por isso, é prevenível. A partir do momento em que uma pessoa se queima, ela poderá enfrentar um período de tratamento dolorido e que muitas vezes, pode deixar sequelas”, alerta o cirurgião plástico da unidade, Luis Fernando Tibery Queiroz.

De acordo com o MS (Ministério da Saúde), a cada ano, aproximadamente um milhão de pessoas sofrem queimaduras no País, sendo as crianças as maiores vítimas. Entre 2013 e 2014, o SUS (Sistema Único de Saúde) registrou mais de 15 mil casos de internações de vítimas entre 0 e 10 anos.

De janeiro a junho deste ano, o CTQ de Londrina já teve 121 internações, sendo 30% pacientes menores de 15 anos. “São vítimas de acidentes domésticos que sofrem queimaduras por líquidos aquecidos”, comenta.

Nos registros do HU, o escaldo é apontado como causa em 27,8% dos casos de internações. Já entre as vítimas acima de 15 anos, 45,9% das queimaduras ocorrem por fogo, com destaque para o manuseio de líquidos inflamáveis como o álcool e querosene.

INDICAÇÃO DE INTERNAÇÃO

O médico explica que quando se queima mais de 10% do corpo já se tem indicação de internação. “A pele é uma barreira de proteção e quando há uma descontinuidade dessa barreira aumenta-se o risco de infecções. Por isso é muito importante ter cuidados médicos para fazer a limpeza adequada e utilizar creme com poder bactericida, que vai ajudar na cicatrização”.

Na casa de Miriam Vicente Xavier, a pequena Larissa queimou as mãozinhas ao encostar em um ferro de passar roupa. Na época, ela tinha três anos e ficou com bolhas nas duas mãos. “Doeu muito”, lembra ela, hoje com cinco anos. A mãe comenta que ligou imediatamente para o pediatra, que receitou uma pomada.

Ao passear com a filha pelo Calçadão, ela recebeu o material com os cuidados preventivos e aprovou a iniciativa. “A campanha é muito importante porque nos ajuda com esclarecimentos”, diz. A diarista Irene Alves aproveitou a presença da equipe para tirar dúvidas. “É comum a gente se queimar com a panela ou com a comida. Quando acontece isso, eu coloco as mãos na água corrente e descobri que está certo”, conta.

Imagem ilustrativa da imagem Centro de Queimaduras de Londrina realizou 1,7 mil cirurgias em 2018
| Foto: Folha Arte

TIPOS

As queimaduras se classificam em primeiro, segundo e terceiro grau. De acordo com Queiroz, a mais superficial (primeiro grau) ocorre geralmente por queimaduras solares, quando a pele fica vermelha e arde.

“A partir de momento que levanta bolha, passa a ser de segundo grau. Aí já é necessário procurar um médico para uso correto de medicamentos e curativos”. Quando a lesão de segundo grau é profunda, o tratamento pode demorar até quatro semanas. E quando se tem queimadura de terceiro grau, o procedimento a ser realizado é cirúrgico.

O CTQ do HU de Londrina existe desde agosto de 2007 e é uma referência no interior do Estado no tratamento de vítimas de queimaduras. Ao todo, são 16 leitos disponíveis e o volume de internações passa de 300 pacientes ao ano.

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