Centro de Queimados realiza cirurgia inédita
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terça-feira, 27 de outubro de 2009
Mariana Guerin<br>Reportagem Local 
Nasci de novo. Este é o sentimento de dois pacientes do Centro de Tratamento de Queimados do Hospital Universitário de Londrina que receberam um implante de matriz dérmica artificial porcina (originária do porco) há nove dias.
Procedimento inédito no Paraná, o uso da matriz porcina na recuperação de queimados é feito desde 1996, no mundo, e há pelo menos dez anos no Brasil. No entanto, o custo ainda é alto (o centímetro quadrado da matriz sai a R$ 85), o que dificulta sua popularização, avaliou o cirurgião Reinaldo Kuwahara, do HU. A técnica reduz pela metade o tempo de internação, que também gera altos custos para o Sistema Único de Saúde, comentou o médico.
Segundo ele, o produto utilizado nos pacientes é derivado do tendão do porco e destinado a queimaduras profundas. Serve como substituto da derme, já que estimula o organismo a formar uma nova pele. É a matriz que mais se assemelha a pele humana depois da matriz bovina, que ainda é a mais utilizada, comparou Kuwahara, reforçando que não há diferença de custo entre os dois materiais.
No cotovelo do soldador de Cambé Maurício Lúcio, 52 anos, e no pescoço da doméstica de Goioerê (Centro-Oeste) Lourdes Maria de Jesus, 37, que se acidentaram há mais de cinco meses, a equipe aplicou uma placa de matriz dérmica porcina e em seguida uma película de silicone.
Segundo Kuwahara, os primeiros resultados serão vistos a partir de três semanas, quando será feito o implante da pele do próprio paciente sobre o local. Cicatriz sempre fica, mas o implante proporciona uma sequela sem retração, além de garantir uma boa convivência social ao indivíduo.
De tecnologia japonesa, os procedimentos só foram realizados porque o hospital recebeu doações da empresa que comercializa o substituto biológico no País, apontou o cirurgião, informando que outros dois pacientes do HU também necessitam da mesma cirurgia. Se o paciente é de Londrina, ele pode receber alta em três dias.
A recuperação está boa demais, agora tenho planos de me aposentar e ficar sossegado em casa, declarou o soldador Maurício Lúcio, que sofreu queimaduras de tíner pelo corpo todo enquanto trabalhava, e passou 40 dias internado.
Lourdes Maria de Jesus quer voltar a estudar. Ela ficou internada 71 dias, 60 só na Unidade de Terapia Intensiva, em coma, depois de se acidentar com álcool. Meu pescoço estava grudado ao corpo, não movimentava e sentia dor, mas agora já percebo melhoras, afirmou a doméstica, que tem quatro filhos e não vê a hora de pegar a neta no colo.


