Um dia depois da interdição do Centro Ocupacional de Londrina (COL), o atendimento aos portadores de necessidades especiais foi normal. Durante a manhã de ontem, a promotora Édina Maria Silva de Paula e o juiz Ademir Ribeiro Richter, ambos da Vara da Infância e Juventude de Londrina, visitaram o local e se reuniram com os funcionários e as cinco interventoras (três indicadas pela promotoria e duas pelo Núcleo Regional de Educação).
A presidente interina Mariângela de Oliveira disse ontem que todos os alunos compareceram às aulas e poucos pais ficaram receosos. ''Apenas uma mãe ligou pedindo informações. Ela foi orientada e tudo correu bem'', comentou Mariângela, enquanto se inteirava dos documentos e arquivos da administração, juntamente com outras duas interventoras. Hoje, pais de alunos e lideranças fazem uma reunião no COL.
A promotora Édina e o juiz Richter vistoriaram as instalações, conversaram com professores e funcionários e acompanharam o atendimento a algumas crianças. ''As funcionárias estão afastadas por tempo indeterminado, até que as denúncias sejam investigadas com detalhes. A Justiça pode prorrogar o prazo para até 180 dias'', explicou Édina, que solicitou a interdição junto com outros dois promotores depois de receber denúncias de maus tratos.
A primeira denúncia foi registrada em fevereiro deste ano, pela comerciante M.P.K., que mantinha o filho de 16 anos no COL (a entidade atende 133 deficientes). Ela afirmou ter encontrado sinais de agressão no corpo do menino, supostamente provocados pelas diretoras do Centro.
O Instituto Médico Legal (IML) realizou exames no rapaz e confirmou os sinais de agressão. Outra denúncia partiu da dona de casa M.L.R.. ''Minha filha foi jogada no chão e chegou a ficar com a coluna machucada'', acusou M., mãe de uma menina de 12 anos.
O advogado da diretora afastada, Mauro Viotto, disse ontem à imprensa que vai pedir a reconsideração da medida tomada pelo juiz da Vara da Infância e Juventude, alegando que houve confusão quanto à interpretação das ações tomadas pelas funcionárias. ''Foram procedimentos normais de contenção previstos (no tratamento), tanto que eram acompanhados por um psiquiatra'', argumentou Viotto.
O advogado argumentou que as denúncias foram feitas por empregados e ex-funcionários do Centro que já haviam se desentendido com a administração, e que inclusive já haviam entrado com ações trabalhistas contra a instituição. ''É uma tentativa de vingança. Todos os profissionais na diretoria têm graduação universitária e especialização na área (atendimento a portadores de necessidades especiais). Essa acusação de que não sabem lidar com deficientes mentais é descabida'', disse Viotto. A diretoria afastada tem dez dias, contados a partir da intervenção, para apresentar sua defesa por escrito.
Caso o pedido de reconsideração não seja atendido, Viotto afirmou que irá requisitar um mandado de segurança no Tribunal de Justiça. ''Não somos técnicos para avaliar se os procedimentos adotados no COL eram normais ou não. Temos peritos para avaliar isso'', rebateu a promotora Édina. Foram afastadas a diretora do COL, Rosângela Marques Busto, e a presidente Júlia Busto, juntamente com outras sete funcionárias.

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