O CEI tem capacidade para atender 120 alunos, mas hoje poucos permanecem estudando
O CEI tem capacidade para atender 120 alunos, mas hoje poucos permanecem estudando | Foto: Anderson Coelho



O CEI (Centro de Educação Infantil) Professora Adelina Castaldi Novaes, conhecido como Presipe, está passando por dificuldades financeiras. Diferentemente de outras unidades filantrópicas que são responsabilidade de alguma entidade, empresa, igreja ou uma ONG, o Presipe depende unicamente de doações financeiras de particulares. A diretora Osenilda Silva afirma que a falta de dinheiro levou a entidade a atrasar contas de luz, água, recolhimento da contribuição previdenciária e salários dos funcionários. Com isso a entidade não conseguiu a certidão negativa, documento exigido pela prefeitura de Londrina para realizar repasse de 50% de custeio para cada aluno.

Isso fez piorar a saúde financeira. "O último repasse foi realizado em novembro. Fizemos o pagamento do mês de dezembro, do 13º salário e o salário de janeiro.
Desde então não realizamos mais nenhum pagamento. Muitos professores deixaram a escola", destacou a diretora. O centro tem capacidade para atender 120 alunos, mas hoje poucos permanecem a ponto de a diretora não querer revelar o número exato. Mas Silva luta para tentar reverter a situação e espera que em breve o Presipe volte a atender muitas crianças. "O Presipe vai completar 40 anos em agosto. Estamos fazendo uma ação entre amigos com um prêmio de R$ 4 mil, a ser sorteado pela loteria federal neste sábado (5), mas estamos tendo dificuldades de vender os talões. A gente tem feito esse tipo de promoção para arrecadar fundos. Temos ligado para pais de ex-alunos pedindo que nos ajudem, mas não tem sido suficiente", lamentou.

EXTINTO
O Presipe foi criado inicialmente para atender filhos de funcionários do IPE (Instituto de Previdência do Estado), e era mantido por intermédio de convênio com a Secretaria de Estado da Educação. No entanto, o IPE foi extinto em 2000 e desde então o prédio ficou vinculado ao Paraná Previdência e o Estado deixou de repassar dinheiro para a escola. Os pais de alunos, que pagavam anteriormente mensalidades simbólicas, passaram a custear integralmente a escola, mas esse valor ficou muito alto para eles. "A escola está com dificuldades inclusive para custear o aluguel", apontou a diretora.

O cenário no CEI é desolador, com poucas crianças. Em 2016, quando a reportagem da FOLHA esteve paro centro para cobrir o Carnaval das Marchinhas, o cenário era bem diferente. A creche estava repleta de crianças e muitas mães acompanhavam as crianças. "No ano passado, por conta da crise, quem dava R$ 100 passou a dar R$ 50. Quem dava R$ 50 passou a não contribuir. Com isso não conseguimos cumprir com a obrigação tributária e previdenciária e com a folha de pagamento", observou.

"Essa questão de não repassar recursos (do município para quem não possui certidão negativa é uma norma e a gente entende isso, mas infelizmente não conseguimos cumprir com nossas obrigações. Mas deveria haver uma certa flexibilização. Nossos políticos deveriam ajudar a manter a nossa instituição. Infelizmente ninguém valoriza a educação", criticou.

SERVIÇO - Quem quiser contribuir com o Presipe pode entrar em contato pelo fone (43) 3322-6762. O CEI fica na rua Maragogipe, 169 (centro)

mockup