Centro de Detenção atinge limite
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segunda-feira, 02 de julho de 2007
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
O fôlego do sistema prisional de Londrina durou pouco. Dois meses após sua inauguração, o Centro de Detenção e Ressocialização (CDR) já atingiu sua capacidade máxima - até ontem, tinha 862 detentos, dois a mais do que o limite definido pelas autoridades. Na Penitenciária Estadual de Londrina (PEL), que passou a receber somente presos provisórios, restam apenas 15 vagas ociosas.
A situação era previsível, já que prisões e apreensões têm se mantido numa média de sete por dia na cidade. O problema é: onde serão colocados novos presos quando a capacidade dos presídios estourar, uma vez que a reforma das carceragens nos distritos policiais (DPs) sequer começou?
Segundo o delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial (SDP), Sérgio Luiz Barroso, apenas as cinco celas modulares do 2º DP (Zona Leste), com um total de 60 vagas, estão disponíveis para receber presos. Ele avisou que as demais celas do distrito, assim como as do 4º e 5º DPs - comprometidas pelas inúmeras tentativas de fuga e rebeliões - não serão reabertas enquanto as obras de revitalização não ocorrerem.
Mesmo assim, Barroso foi otimista. ''Não acredito que haverá uma necessidade imediata de remoção para os DPs. Há um giro natural de presos'', observou. O diretor interino da PEL, capitão Diógenes Gonçalves, não soube estimar quando serão preenchidas as 580 vagas da unidade. ''É uma condição que muda dia a dia. Em média, têm saído daqui de 10 a 15 presos por semana, mesmo volume de entrada'', afirmou.
Antes destinada a presos condenados, a PEL absorveu o contingente dos DPs nos últimos dois meses. Gonçalves explicou que a aceitação de presos além da capacidade, se necessária, terá que ser decidida pela Vara de Execuções Penais (VEP) e o Departamento Penitenciário (Depen), já que implicará aportes financeiros.
Na Casa de Custódia de Londrina (CCL), a meta é reduzir gradualmente o número de presos dos atuais 373 para 360. ''Praticamente desde que o CDR foi inaugurado, estamos fazendo só 'troca' de pessoas. Se recebemos um preso de um distrito, enviamos outro para a PEL. Esse limite foi estabelecido para podermos fazer um trabalho melhor, já que o excedente era muito grande'', justificou. Antes das mudanças, a CCL abrigava até 420 detentos. O montante original de vagas é de 288.
O diretor do CDR, major Raul Leão Vidal, também não pretende fazer concessões. De acordo com ele, o limite foi atingido há cerca de 10 dias e a unidade não está recebendo presos além disso. ''Só à medida que sai gente. E está saindo menos do que nós esperávamos'', relatou, considerando que o motivo pode ser o acúmulo de crimes de cada condenado. Em média, somente três detentos estão sendo liberados a cada semana.
Vidal afirmou que, enquanto não forem desocupadas vagas suficientes no CDR, os novos condenados terão que permanecer na PEL ou nos próprios distritos. ''A penitenciária, ao contrário dos DPs, é obrigada a oferecer tratamento penal, visando a ressocialização. Se o limite for ultrapassado, irá prejudicar esse tratamento.'' A direção da PEL afirmou que ainda não recebeu nenhum condenado.


