Centro de Cultura tenta
resgatar origens dos povos
Por ser um povo mais hostil, com tendências às batalhas e aos enfrentamentos, os índios caingangues perderam muito na transmissão da cultura dos mais velhos para os jovens. Segundo o administrador regional da Funai em Guarapuava, Vladinei Tadeu da Silva, em guerras os mais velhos são os primeiros a morrer, o que faz com que a transmissão de certos valores culturais não sejam passados de geração à geração.
Visando sanar este problema, o governo do Estado inaugurou no dia 5 de julho de 1996, na reserva de Mangueirinha, dois centros culturais (caingangue e guarani) para permitir a recuperação da cultura destes povos. O Programa Intensivo para Crianças Indígenas (PIA) oferece aulas de línguas como reforço à escola que funciona na reserva, além de aulas de dança, confecção de artesanatos e roupas indígenas.
Segundo a coordenadora do Centro Caingangue, Joseana Sartori Spagnoli, em 800 metros quadrados são atendidas 186 crianças. Além do aprendizado, são ofertados café da manhã, almoço e lanche à tarde.
Os artesanatos produzidos pelos aprendizes são comercializados ali mesmo e o dinheiro vai para as crianças que os produziram. O centro também funciona como intercâmbio cultural, onde crianças de várias escolas, principalmente nesta época do ano, participam de apresentações artísticas.
A tentativa de resgatar a cultura indígna tem surtido bons resultados. Para a professora de línguas do Centro Cultural, Olga Keãy os alunos tem feito um excelente progresso no aprendizado. Mas para que a língua original volte a ser falada plenamente na reserva, a professora entende que é preciso forçar os pais, no sentido de que eles cumpram a sua parte. Ou sejam que falem na língua original. ‘‘Isto não está ocorrendo com frequência, já que muitos se casam com homens ou mulheres brancas’’, afirma a professora.
Diferentes dos caigangues, que são mais ligados à terra, os guaranis são mais dóceis e justamente por este motivo não tiveram tanto problema no processo de transmissão da cultura dos mais velhos para os mais novos. ‘‘O diferencial do povo Guarani é que ele busca, de maneira constante, a terra sem males. Por isso é um povo nômade, que viaja muito’’, diz o administrador. (L.C.D.J.)

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