Londrina – O anúncio da construção do Centro de Tratamento de Câncer promete colocar Londrina como referência internacional no combate à doença. O novo empreendimento, que tem previsão de começar a atender em janeiro de 2018, vai utilizar uma das técnicas mais avançadas no tratamento do câncer: a próton terapia. A primeira etapa do projeto prevê um prédio de 10 mil metros quadrados, que será construído em um terreno na zona sul, de 48 mil m², por meio de um fundo de pensão americano, com investimentos na casa dos R$ 350 milhões. O cronograma marca o início das obras para o dia 15 de julho deste ano e o objetivo é iniciar o atendimento 30 meses após o começo da construção.
A previsão é atender mais de seis mil pacientes por ano, sendo 600 por próton terapia, além de 15 mil procedimentos. O instituto contará com infraestrutura de próton terapia, radioterapia, quimioterapia e diagnóstico. O quadro de profissionais será formado por 150 especialistas, incluindo físicos e médicos.
A próton terapia começou a ser utilizada na década de 1970, na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, e hoje existem 40 centros médicos que usam a técnica nos EUA, Europa e na Ásia. Mais de 70 mil pessoas já foram submetidas ao procedimento no mundo todo. "Londrina vai se tornar uma referência internacional, já que não existe nenhuma unidade com este tipo de tratamento no hemisfério sul", revelou Pedro da Silva Brito Júnior, CEO da Próton Brasil, idealizadora do projeto.
A empresa, com sede em Londrina, firmou parceria técnica e contratou a Proton Internacional, formada por grupos especialistas em unidades de saúde para o tratamento de câncer convencional e por próton terapia em diversas partes do mundo, para a concretização e garantia do empreendimento.

O TRATAMENTO
A próton terapia consiste um tratamento não invasivo para câncer localizado e a radiação atinge diretamente o tumor, protegendo as demais áreas de tecido ao redor evitando assim efeitos colaterais. "A partícula de próton, produzida em um acelerador, passa sem danos pela região saudável e descarrega a energia no tumor, quebrando a cadeia de DNA e transformando aquele tumor em matéria morta. A técnica evoluiu muito hoje graças à evolução da imagem, já que todo mapeamento é feito em 3D", explicou Júnior. "Após o uso da próton terapia aquele câncer atingido não existirá mais e a pessoa sai de uma sessão sem nenhum efeito colateral e pode fazer as atividades normais do dia a dia, como ir ao shopping ou jogar tênis".
As sessões de próton terapia são diárias e um tratamento dura em torno de 30 dias. A técnica é indicada para cânceres especiais, onde os tumores são inatingíveis por meio de cirurgias, como em casos nas regiões da cabeça, pescoço, fundo de olho e ouvido. "O risco de uma cirurgia, por exemplo, em crianças com meduloblastoma, um câncer na coluna cervical, é grande e é um caso onde a próton terapia é indicada", citou.

SUS
Na maioria dos países, a técnica não é subsidiada pelo Estado. Segundo Pedro Júnior, o grupo se reuniu no ano passado com o Ministério da Saúde e espera que até o início das atividades o processo possa ser inserido no Sistema Único de Saúde (SUS). "Infelizmente o processo é muito lento dentro do Ministério nestes casos", lamentou. "Temos o objetivo de criar uma Fundação para buscar recursos, que podem ser usados para bancar alguns procedimentos". Um tratamento por próton terapia pode custar acima de US$ 50 mil.
Pedro Júnior revelou que a escolha por Londrina para a instalação do Centro levou em conta aspectos de logística, como localização, aeroporto 24 horas, e uma população universitária de mais de 40 mil alunos. Mas, também um sentimento de trazer desenvolvimento para a terra natal. "Saí de Londrina em 1977 para estudar na Unicamp, trabalhei em diversos lugares e estou louco para voltar para a casa", garantiu o engenheiro civil por formação e que tem grande parte da família residindo em Londrina.

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