O pintor Ademilson (nome fictício), de 35 anos, é dependente químico desde a adolescência. Depois de anos consumindo crack, cocaína e álcool, resolveu procurar ajuda. Recorreu ao Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps-AD), entidade mantida pela administração municipal. Ele diz que não teria condições de trabalhar sem o tratamento oferecido pela entidade. "Se não fosse esse apoio, eu já teria me afundado nas drogas", declara.
A falta de estrutura da unidade, localizada no Jardim Mediterrâneo (zona sul de Londrina), impede que o atendimento seja expandido e mais usuários na situação enfrentada por Ademilson tenham uma chance de abandonar o vício.
Construído para abrigar uma instituição voltada a usuários jovens, o imóvel foi transformado em sede do Caps-AD em 2005. Segundo a vice-presidente do Conselho Municipal de Políticas Públicas sobre Álcool e Outras Drogas (Comad), Marilena Jordão Pescuma, a estrutura já está "praticamente no limite".
Para Marilena, Londrina precisa de mais uma unidade voltada ao atendimento de dependentes. "A estrutura já está fora da realidade que vivemos e já faltam locais para atividades. Londrina deveria ter pelo menos dois Caps-AD, pois uma cidade com meio milhão de habitantes não pode ficar somente com uma unidade", reivindica. "O mobiliário está todo desgastado e os equipamentos, defasados. A estrutura já não comporta mais a demanda do município." Faltam, por exemplo, computadores e materiais para as oficinas terapêuticas, como de artesanato.
O número de atendimentos passou de 60 por dia em 2012 para 80 este ano. A quantidade de pacientes em triagem subiu de 100 para 140. "A estrutura que temos ainda é capaz de atender os pacientes que temos. Mas se esse ritmo de crescimento for mantido, a capacidade se esgotará ainda este ano", alerta a coordenadora do Caps-AD, Márcia Avelar.
Para Márcia, as reivindicações são pertinentes. "É preciso ressaltar que muitos dos pacientes que reclamam da estrutura possuem uma expectativa de que o local ofereça internação. Mas o Caps-AD trabalha com terapias e oficinas durante o dia no local e no espaço de convivência familiar do paciente", explica. Outro trabalho da entidade é fazer encaminhamentos de pacientes para entidades cadastradas no Comad, que é o órgão responsável por fiscalizar o Fundo Municipal de Políticas sobre Drogas.
No cadastro do Comad constam entidades que oferecem atendimento ambulatorial (Água Pura, Casa de Maria e Fundação Tamarozzi) e internamentos, como a Morada de Deus, Associação Promocional Londrina Viva (Prolov), Centro de Recuperação de Dependentes Químicos e Alcoolista (Credequia), Ministério Evangélico Pró-vida (Meprovi), Resgate, Restaurando Vidas e Dependência Química (Revide) e o Núcleo Londrinense de Redução de Danos e Movimento Cristo te ama (Cristma).

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- Meta é oferecer tratamento integral

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