No Colégio Estadual Marquês de Caravelas, em Arapongas, as atividades de inclusão acontecem no Centro de Aprendizagem de Deficientes Visuais e Auditivos. Nas duas salas dotadas de equipamentos específicos, os alunos recebem atendimento em contraturno.
Os não ouvintes trabalham a aprendizagem de libras com dois professores surdos, além de dedicarem-se ao letramento em língua portuguesa. Muitos recursos visuais e até um telefone específico são utilizados pela equipe de profissionais.
No caso dos deficientes visuais, além da produção das avaliações em braile, os professores confeccionam materiais didáticos em alto relevo para facilitar a percepção. Os que possuem baixa visão têm acesso a um computador onde os conteúdos são exibidos de forma aumentada. E, graças ao programa chamado Virtual Vision, os estudantes têm acesso a todas as funções de um computador.
A diretora-auxiliar Lucineia Meire Minelli Domingues contou que o centro foi construído com recursos da APMF, que pediu doações a empresas locais. ''Nossa maior reivindicação, hoje, é que os alunos cegos tenham direito a um auxiliar em sala de aula, como acontece com os surdos. Sem ninguém para ler os textos, eles acabam contando apenas com a ajuda de colegas'', avaliou a diretora, para quem a inclusão é possível quando há estrutura física e profissional.
Motivação
Franciele Oga Moreira, 15 anos, nasceu ouvinte, mas perdeu a audição aos dois anos. Filha de pais surdos, foi educada para ter uma vida ativa. ''Por também não ouvirem, meus pais sabiam que eu ia me desenvolver.'' Depois de estudar até os 10 anos em uma escola para deficientes auditivos, ela entrou na escola regular. ''Passei a ter professores surdos e me senti muito motivada. Quero ser professora de libras, mas ainda tenho muito o que aprender.''
No colégio, ela aproveita todos os recursos do Centro de Aprendizagem para ampliar o vocabulário em libras e desenvolver a escrita.
Também usuário do centro, Bruno Fernandes Moreira, 20 anos, é um aluno do terceiro ano do Ensino Médio que perdeu a visão aos 12. ''Aprendi braile e passei a estudar normalmente'', contou o rapaz, que é considerado um bom aluno e pretende fazer vestibular para Direito.
Com o apoio dos recursos tecnológicos e dos professores, ele consegue acompanhar as aulas, fazendo anotações em braile e estudando com ajuda dos equipamentos. ''No começo era difícil, porque não me relacionava com os outros alunos. Hoje é bastante tranquilo.'' (C.A.)

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