Londrina – A dor dos pacientes que precisam ser internados nos hospitais de Londrina vai muito além dos muros das instituições. Por trás de cada diagnóstico grave, há famílias inteiras que compartilham o mesmo sofrimento. Os hospitais oferecem o atendimento médico aos pacientes, mas os acompanhantes que também enfrentam a rotina de consultas, exames e internações, na maioria dos casos, precisam buscar o auxílio de voluntários.
Das visitas diárias ao Hospital do Câncer de Londrina, a missionária Iracema Ferreira dos Santos, de 63 anos, percebeu que faltava um local para que os familiares pudessem descansar, fazer as refeições e até tomar banho. As necessidades básicas eram adiadas, segundo ela. "As pessoas ficavam vagando por aí, nas praças, nos arredores porque não tinham para onde ir. Muita gente vem de fora da cidade, procura atendimento e não sabe o que fazer quando recebe a notícia de que o paciente vai ficar internado, por exemplo", disse a missionária. Uma casa alugada próximo ao hospital foi o início da realização de um sonho.
Hoje, o Centro de Apoio Esperança funciona em uma outra sede alugada. De janeiro a setembro deste ano, mais de 588 pessoas já passaram pelos 11 leitos que ficam à disposição de quem procura abrigo. Os quartos já alojaram pessoas de várias regiões. "O mais longe veio de Rondônia", contou Iracema.
A dona de casa, Silvana de Souza, de 42 anos, veio da cidade de Cândido de Abreu (Vale do Ivaí), que fica a aproximadamente 197 km de Londrina. Ela trouxe a mãe de 66 anos que luta contra um câncer no esôfago e ficou longe dos três filhos jovens para acompanhar o tratamento. "Foi tudo muito difícil. Precisei ficar seis semanas direto em Londrina para acompanhar minha mãe. Essa casa virou a minha casa com uma nova família", relatou Silvana. A paciente passou por sessões de radioterapia e se recupera bem.
Além das refeições servidas todos os dias, o local também oferece apoio com psicólogos e uma assistente social. "Nós acolhemos pessoas que precisam de um copo de água, pessoas que não têm onde almoçar, pessoas que não têm onde dormir ou quem só precisa conversar", disse Iracema. O centro de apoio atua há 11 anos e já chegou a servir mais de 80 refeições apenas no almoço. Os atendimentos são gratuitos para familiares de pacientes atendidos em todos os hospitais. A demanda vai ser ampliada assim que as obras da nova sede forem concluídas.
O imóvel novo fica próximo ao antigo e a construção é acompanhada de perto pela fundadora. As obras começaram em julho do ano passado após a realização de leilões com o apoio da Sociedade Rural do Paraná. Os 342 metros quadrados terão cinco quartos com 40 leitos no total. Os dois pisos e um subsolo terão área de lazer, lavanderia e uma área ampla para as refeições. Até agora, foram investidos R$ 270 mil, recursos obtidos com o auxílio da Receita Federal, da Polícia Federal, de empresários e de outras entidades. Conforme Iracema, a instituição espera arrecadar R$ 120 mil para concluir a estrutura física. A equipe também será ampliada com um advogado, uma enfermeira e um médico.
Para o pedreiro Valdecir Aparecido Melo, de 41 anos, o apoio na nova sede do Centro Esperança já começou. Ele veio da cidade de Figueira (Norte Pioneiro), e vai permanecer em Londrina pelo menos até o final da construção. Melo sabe da importância dos trabalhos da instituição. "Minha irmã ficou quatro meses na casa quando meu cunhado precisou se tratar de um câncer de próstata. Hoje ele já se recuperou e agora eu estou aqui construindo a nova sede", comentou o pedreiro.
Enquanto o imóvel não fica pronto, Iracema luta para manter vivo o auxílio oferecido 24 horas por dia. "A doença não escolhe hora e nós vamos com a família até o fim. Ao longo dos 11 anos, acompanhamos a cura de muitos pacientes, mas também damos o apoio até na hora em que eles recebem a notícia da morte. Vamos juntos para encaminhar o corpo para a Acesf, mesmo durante a madrugada", ressaltou.
O centro de apoio gasta R$ 7 mil por mês com as despesas e atende pessoas de 150 municípios, 11 deles colaboram com doações mensais.

Serviço
Centro de Apoio Esperança fica na Rua Silvio Pegoraro, 283, no Jardim Petrópolis (43) 3028-8914 / 3341-8814

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