Dorico da SilvaNovo endereçoA coordenadora Cleide Camargo e a nova sede do CAM: mais privacidade para as mulheres vítimas de violênciaO Centro de Atendimento à Mulher (CAM), órgão ligado à Coordenadoria Especial da Mulher, vai atender em novo endereço a partir de sexta-feira. O CAM vai deixar o atual endereço, na esquina da avenida Bandeirantes com rua Jorge Velho (centro), para atender na avenida Souza Naves, 2.231, próximo ao Monumento à Bíblia (área central). A transferência visa melhorar o atendimento às mulheres, ressalta a chefe da Coordenadoria, Cleide Carmago, já que a nova sede é maior e tem aluguel mais barato que a atual.
Cleide explica que não está sendo ampliado o número de profissionais que atuam no Centro. Segundo a coordenadora especial, os 120 metros quadrados a mais da nova casa vão permitir maior privacidade no atendimento às mulheres que procuram o local. ‘‘Hoje há uma sala para todos os advogados. Na nova sede vai haver uma sala para cada advogado.’’ O novo imóvel tem 320 metros quadrados.
A inauguração da nova sede do CAM está marcada para a próxima sexta-feira, às 10h30, e deverá contar com a presença de várias autoridades, entre elas o prefeito Antonio Belinati (PDT) e o vice, Alex Canziani (PTB).
‘‘A casa atual está muito pequena e o nosso trabalho cresceu muito. O novo endereço é bem localizado e facilitará bastante para as pessoas’’, diz Cleide Camargo. Uma grande equipe multiprofissional atua no CAM: a coordenadora geral e a assistente, três psicólogas, duas assistentes sociais, cinco advogados, um terapeuta ocupacional, um gerontólogo, um auxiliar de enfermagem, uma relações públicas, uma professora, além do pessoal de serviço burocrático. O atendimento é das 8 às 18 horas, de segunda a sexta-feira.
Cleide Camargo explica que vários projetos são desenvolvidos no CAM. Há o atendimento jurídico, psicológico e social para as mulheres vítimas de algum tipo de violência. A Oficina de Trabalho ajuda a desenvolver habilidades manuais; através da Terapia Ocupacional funciona a Oficina de Tecelãs da Fazenda Refúgio; na Oficina Educativa são desenvolvidos projetos com objetivo de conscientizar as pessoas sobre prevenção de câncer, aids, alcoolismo, uso de drogas, além de informar sobre sexualidade, planejamento familiar, entre outros temas.
O atendimento também extrapola o espaço físico do CAM, lembra Cleide Camargo. São feitas palestras na comunidade. Estudantes da Universidade Estadual de Londrina e do Centro de Estudos Superiores de Londrina ajudam em alguns atendimentos. No Cesulon, as mulheres e familiares atendidos pelo Centro recebem apoio psicológico.
Já os departamentos de Serviço Social, Enfermagem e Psicologia da UEL atuam no projeto ‘‘Atendimento à mulher nas diferentes fases de seu desenvolvimento’’, restrito às moradoras do conjunto Novo Amparo (zona leste). Os estudantes vão de casa em casa ou no posto de saúde do bairro prestando atendimento à saúde e promovendo a conscientização sobre o direito à cidadania. O Centro ainda tem projetos específicos para as mulheres na terceira idade e adolescentes.
O órgão atende mulheres de 16 a 60 anos, a maioria vítima de violência emocional ou psicológica (tortura psicológica, ameaça, indução ao suicídio, infidelidade, contrangimento ilegal). Durante a cerimônia de inauguração da nova sede, a coordenadora especial pretende mostrar um relatório estatístico e analítico dos casos atendidos no Centro, de janeiro a maio deste ano.
Cleide Camargo adiantou que neste período foram feitos no CAM cerca de cinco mil atendimentos, sendo inúmeras denúncias de violência. A principal é a violência emocional: 67%. Depois vieram a violência física (24%), sexual (3%), e outras queixas (6%). Um entre cada três casos de violência emocional acontece com mulheres desempregadas.
A unidade realizou, no mesmo período, 268 atendimentos no setor jurídico, 186 no psicológico e 304 no setor de serviço social. O projeto Educativo já realizou 1.162 atendimentos, e o Terceira Idade, 2.584.
A coordenadora especial diz que a grande maioria das mulheres atendidas no CAM são de baixa renda. ‘‘A classe média e alta, segundo os psicólogos, procuram esconder a violência. E não recorrem a nós porque procuram profissionais particulares ou através de convênios’’, explica.

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