Centro Cultural começa a sair do papel
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domingo, 29 de junho de 2003
Vanessa Navarro<br> Reportagem Local 
A Prefeitura de Londrina abre hoje, às 9 horas, os envelopes com as propostas de empresas que participam da licitação para as obras de reforma e ampliação do Centro Cultural da Zona Norte. O prédio do antigo supermercado Basseto, na avenida Saul Elkind, foi o local escolhido para abrigar o espaço cultural. O valor máximo da obra foi orçado em R$ 403.191,85.
A concretização do centro cultural tem caminhado a passos lentos. Os recursos federais destinados à obra, cerca de R$ 250 mil, foram entregues à prefeitura em meados de janeiro, pelo deputado federal Alex Canziani (PTB). Na época, a expectativa era de que o centro fosse inaugurado ainda no primeiro semestre. O secretário municipal de Cultura, Bernardo Pelegrini, creditou o atraso a alguns cálculos da obra que tiveram de ser refeitos e a entraves burocráticos para desapropriar a área. A prefeitura também está investindo na obra com R$ 150 mil, além da compra do terreno.
Moradores da região do conjunto Maria Cecília (zona norte), local da futura obra, contam que a implantação do centro cultural vem sendo anunciada há tempos. Comerciantes que possuem barracas instaladas na quadra do antigo supermercado se preocupam com o destino que terão quando a obra finalmente for iniciada. ''Faz tempo que eu ouço falar que vão construir esse centro. Já fui até na Comurb (atual Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização CMTU) e lá me disseram que eu podia ficar sossegada'', diz a comerciante Judith Antônia Monari, 68 anos, que vende roupas na calçada em frente ao local do futuro centro.
Judith e outros comerciantes aproveitam o intenso movimento que se forma na Avenida Saul Elkind, aos domingos. Além da feira livre, vários bares e lanchonetes funcionam no local. A barraqueira Maria Aparecida da Silva, 49 anos, espera que o centro cultural ajude nos negócios. ''Ouvi dizer que a obra vai sair logo. Estamos esperando que saia mesmo, para melhorar pra nós'', afirma. O vendedor Roberto Jonas Andrade, 48 anos, que negocia carros numa ''pedra'' ao lado do futuro espaço cultural, não se mostra tão confiante. ''Isso é promessa de político. Todo dia vem engenheiro aí, mede, estende uns papéis enormes e depois vai embora'', relata.
O prédio que será reformado tem 751 metros quadrados e está abandonado. As paredes externas foram bastante pichadas e vários vidros, quebrados. Com a ampliação, o local passará a ter quase 1,5 mil metros quadrados. Está prevista a construção de dois salões multifuncionais um com palco e camarins, outro para uso geral. Também será instalada uma biblioteca pública, para a qual a secretaria de Cultura garante que já tem um acervo de 10 mil livros reservados.
A demora para a implantação do centro foi motivo de protestos na semana passada. Estudantes de uma entidade chamada ''Força Jovem'' fizeram manifestações na Prefeitura e na Câmara de Vereadores, e apontaram que o município poderia perder a verba da União caso não licitasse a obra até o dia 30. O secretário de Cultura afastou essa possibilidade, já que o processo de licitação está correndo normalmente e os recursos já foram depositados no banco. A empresa que vencer a licitação terá um prazo de 120 dias para concluir o serviço.


