MUDANÇA DE RUMO Centro comunitário ocupa lugar de posto Falta de dinheiro frustra sonho dos moradores de oferecer assistência médica em barracão erguido pela própria comunidade Josoé de CarvalhoPACIÊNCIAOlivina Leonel, a ‘Regina’, no barracão construído para abrigar o único posto de saúde do assentamento: ‘A gente tem que ir aos poucos’ Silvana Leão De Londrina As dificuldades para conseguir recursos frustraram os planos dos moradores do assentamento São Jorge, na zona norte de Londrina, que em agosto do ano passado uniram forças e começaram a construir um pronto-atendimento básico de saúde. A idéia era abrigar no barracão – feito a partir de material doado –, equipamentos que pertenciam ao Hospital Londrina, de Cambé (13 quilômetros a oeste de Londrina), e foram adquiridos pelo Conselho Comunitário Feminino. Até agora, porém, a construção não conta com a estrutura necessária para abrigar serviços de saúde. Segundo a líder comunitária e presidente da Associação de Mulheres do assentamento Olivina Leonel, conhecida como ‘‘Regina’’, o barracão está sendo transformado, aos poucos, em um centro comunitário. ‘‘Por enquanto está servindo para missas e reuniões. Na semana que vem vão começar as aulas de catequese e a gente quer trazer também cursos de pintura, artesanato e até culinária, que possam oferecer uma fonte de renda para as pessoas.’’ Para isso, a comunidade conta com o apoio de várias entidades, igrejas e do Programa do Voluntariado Paranaense (Provopar). Regina, que desde o início lidera o projeto do pronto-atendimento e doou grande parte do terreno de sua casa para a construção, diz que ainda tem muitas idéias para aproveitamento do espaço, ‘‘mas como a gente não tem tudo o que precisa, tem que ir aos poucos’’. Apesar de não ter conseguido realizar o sonho de implantar atendimento de saúde na comunidade, ela não desanima. ‘‘Aqui vai funcionar de tudo um pouco’’, garante, explicando que está prevista para hoje a colocação de piso no barracão. Atualmente, os cerca de quatro mil moradores do São Jorge utilizam o Posto de Saúde do Conjunto Chefe Newton Guimarães, localizado a cerca de dois quilômetros do assentamento. Os transtornos, porém, são grandes. Para conseguir atendimento para os filhos, as mães são obrigadas a sair de madrugada de casa e as filas quase sempre são inevitáveis. O sonho de Regina era oferecer no próprio assentamento atendimento nas áreas ginecológica, pediátrica, de clínica médica, primeiros socorros e inalação. Mas a única esperança que a comunidade tem, agora, são os serviços prestados pela Unidade Móvel de Saúde (Unimos), mantida pela Secretaria Municipal de Saúde. O ônibus, que conta com estrutura para atendimento nas áreas de prevenção, imunização e atendimento pediátrico e ginecológico, deverá em breve passar a visitar a comunidade. ‘‘Pretendemos levar o serviço ao assentamento três vezes por semana, no período da tarde’’, explica o assessor técnico da Secretaria de Saúde Éder Pimenta. Hoje, técnicos da Secretaria deverão iniciar visitas às casas do assentamento, com o objetivo de fazer um cadastramento das famílias e ver as principais necessidades. ‘‘Este tipo de atendimento, mais na área preventiva, pretende desafogar o Posto de Saúde do Chefe Newton’’, diz Éder Pimenta. De acordo com o assessor, o barracão já construído pela comunidade poderá, eventualmente, servir para palestras que fazem parte do projeto da Secretaria de Saúde.

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