Centro atende portadores de lábio leporino
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terça-feira, 03 de março de 2009
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Lucas Yano tem apenas dois anos, mas muita disposição para brincar. Comer e conversar, então, nem se fala. Mas nem sempre foi assim. Ainda na barriga da mãe, o filho da dona de casa Edina Imamura Yano foi diagnosticado com uma fissura lábio-palatal, popularmente conhecida como lábio leporino, e aos seis meses de vida, passou pela sua primeira cirurgia para a correção do lábio.
''Ninguém na família teve, então quando descobri, com cinco meses de gravidez, fiquei perdida'', confessou Edina. Segundo ela, dias depois de nascido, Lucas foi encaminhado pelo pediatra ao Centro de Apoio e Reabilitação dos Portadores de Fissura Lábio-Palatal (Cefil), na Região Central de Londrina, onde iniciou um tratamento que deve durar até a vida adulta.
''Esperamos para ver como seria quando ele começasse a falar para saber se ele tinha ou não problema no palato'', recordou Edina, citando que o atendimento dos profissionais do Cefil foi o que deu a segurança necessária para a família seguir adiante no tratamento, que hoje resume-se às consultas periódicas com um dentista.
''Foi tudo tranquilo. Eu sempre amamentei, então ele não teve problemas na alimentação. A cicatriz também é pequena e quase não se vê. Muitos nem sabem que ele teve a fissura. Ele come, fala e se socializa normalmente'', comentou.
Segundo o cirurgião plástico Alvaro Fagotti Filho, a fissura lábio-palatal é uma má formação do lábio e do palato, o céu da boca, relacionada principalmente ao ambiente em que a família está inserida. ''É uma condição que acomete regiões pobres, onde há desnutrição e o pré-natal é mal realizado'', explicou Fagotti, informando que somente 30% dos casos estão relacionados ao fator genético.
Conforme o médico, o tratamento da fissura requer, no mínimo, duas cirurgias: uma de correção do lábio, entre o quarto e o sexto mês de vida, e outra para a correção do palato, quando o bebê já tem um ano e meio. ''Crianças lideram os tratamentos, mas alguns adultos, que não receberam cuidados quando jovens, também procuram o Centro'', disse Fagotti, lembrando o caso de uma moça mineira de 22 anos que passou os últimos seis meses em Londrina tratando o problema.
Além da questão estética, que dificulta a socialização do portador de fissura, a fala fica comprometida e muitos pacientes se tornam fanhos. Acompanhamentos multidisciplinares envolvendo fonoaudiólogos, dentistas e psicólogos auxiliam a recuperação do indivíduo, como afirmou o cirurgião.
''Fechar o lábio é um procedimento puramente estético, já que o aspecto funcional fica mais comprometido pela fissura do palato, mas faz-se sempre a cirurgia do lábio primeiro para recuperar a autoestima do paciente, que muitas vezes se isola, ou é isolado, para não ser ridicularizado.''
Ainda segundo Fagotti o tratamento dura até a adolescência, potencializado por novas cirurgias reparadoras, exercícios de fonoaudiologia e uso de aparelhos ortodônticos. Para complementar, paciente e mãe passam por consultas com psicólogo e nutricionista. ''É comum a mãe esconder o rosto do bebê até ele fazer a cirurgia'', revelou o médico.
Vinda de Apucarana (Centro-Norte), a costureira Josiane Cristina Barbosa trouxe a filha ao Cefil para tratar de uma fissura no palato, descoberta no dia do nascimento de Maria Fernanda Barbosa de Oliveira, hoje com seis meses. Dificuldade em mamar no peito e de engolir os alimentos foram os problemas que levaram Josiane a procurar o Centro e, depois de uma consulta com o cirurgião plástico, ficou acordado que a menina passará por uma cirurgia de palato quando completar um ano e meio, já que o lábio é perfeito.
''Tudo o que ela come volta ou pelo nariz ou pela boca'', detalhou a mãe, que entrou em desespero quando descobriu a enfermidade da filha. ''Fiquei muito preocupada, então cuidava muito dela, ficava acordada à noite, vendo ela dormir. Mas hoje já acostumei'', declarou Josiane, que definiu como ''muito bom'' o atendimento do Cefil. ''São todos muitos atenciosos'', acrescentou.
Serviço
- Cefil: Rua Santa Cruz, 55, Centro de Londrina. Telefone (43) 3344-0132.


