Centrinho fecha as portas em Londrina
Adriana De Cunto
De Londrina
O Centro de Atendimento Especializado aos Portadores de Lesões Labiopalatais de Londrina, o Centrinho, vai encerrar definitivamente suas atividades. Os pais de pacientes seriam avisados oficialmente da decisão em uma reunião ontem, às 15 horas, na sede da entidade, na Rua Francisco Feijó Sanches, 50, área central da cidade. O Centrinho é mantido pela Associação dos Fissurados de Londrina (Afilon) que alega como motivo do fechamento as dificuldades financeiras que vêm se arrastando há anos e prejudicando os serviços.
Segundo o advogado do Centrinho, Wilson Sella, a decisão é definitiva principalmente após o encerramento de um convênio entre a entidade e a Secretaria de Educação do Estado, que repassava mensalmente cerca de R$ 6 mil. Os dois únicos repasses de verba que o Centrinho mantém, com a Secretaria Municipal de Ação Social, no valor de R$ 4 mil, e com o governo federal, no valor de R$ 1.200,00, não cobrem nem o gasto dos encargos sociais dos 23 funcionários psicólogos, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, professores, entre outros que já foram demitidos. Ontem, pela manhã, um grupo de voluntárias trabalhavam na limpeza da sede para entrega do imóvel.
O principal problema não é o pagamento dos encargos sociais, diz o advogado, mas o acerto de uma dívida de cerca de R$ 200 mil com o Tribunal de Contas e o Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), que tiveram origem em administrações anteriores ao da atual diretoria, presidida por Carlos Colognhezi. É por causa desta dívida que Wilson Sella alega ser impossível manter funcionando a entidade. O dinheiro que entraria agora teria que ser usado para pagamento de dívidas do passado e não poderia ser aplicado no futuro, explica.
Com o fechamento, cerca de 500 pessoas deixam de ser atendidas por mês, sendo que metade corresponde a pacientes de Londrina e o restante de 53 municípios da região. Este ano, a entidade nem chegou a abrir suas portas e havia marcado retorno das atividades para o dia 7 de março. Mas ontem muitos pais foram acordados pela manhã com um telefonema da diretoria convocando para a reunião das 15 horas, que seria presidida por uma das voluntárias da associação.
Na opinião de Wilson Sella, a situação financeira foi ainda mais prejudicada pelo fatos do Centrinho atender também muitos pacientes de fora de Londrina, sendo que apenas a Prefeitura de Londrina colaborava com a mantenção da entidade.
A briga agora, segundo o advogado, é tentar viabilziar a continuação do tratamento pelo menos para os pacientes de Londrina em parceria com algumas instituições, como a Universidade Estadual de Londrina (UEL). Tanto que já procuraram a Secretaria Municipal de Ação Social para pedir apoio e estão reivindicando que a Secretaria Municipal de Saúde assuma a responsabilidade em parceria com a UEL e outras entidades.
Outras alternativas estão sendo analisadas, comentou Sella. Uma delas é que o Hospital de Reabilitação das Anomalias Crânio-Faciais de Bauru (SP) implante em Londrina um subnúcleo da entidade. E outra é pedir apoio para os prefeitos das cidades da região.





