Londrina
A doação e a recepção de órgãos humanos começam a ser sistematizadas, hoje, em Londrina, com a inauguração da Central Regional Norte de Transplantes, que vai funcionar na 17ª Regional de Saúde.
A Central será a responsável pela busca, retirada e transplante de órgãos nos 98 municípios da Regional. Todos os dias, uma equipe entrará em contato com as Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) dos hospitais para identificar mortes encefálicas. Se houver, a Central procurará a família do morto para obter autorização por escrito para a retirada de órgãos.
A busca também abrange o Instituto Médico Legal (IML) nos casos de morte cardíaca. Nessas situações, só a córnea pode ser reaproveitada, se for retirada até 6 horas após a morte.
‘‘Vamos fazer um trabalho intenso de educação e conscientização com as famílias’’, revela a assistente social Gláucia Celestina Reis, uma das coordenadoras da Central Regional Norte de Transplantes. ‘‘Ainda há muito preconceito e desinformação sobre transplantes. Nossa intenção é estimular as doações’’, explica a assistente social.
Com a autorização da família, a Central de Transplantes aciona, então, as equipes de retirada de órgãos. Foram formadas três equipes médicas para retirada de rins, três para córneas, duas para corações e uma para ossos. Está sendo treinada uma equipe médica para a retirada de fígados.
É a Central quem localiza o receptor, que deve estar cadastrado na lista de espera e ter compatibilidade sanguínea (menos no caso de córnea) com o doador. Para cada órgão, há critérios específicos que estabelecem prioridade para o transplante. As equipes de transplante também são coordenadas pela Central Regioal Norte.
A assistente social Gláucia Celestina Reis explica que a Central Regional Norte estará ligada ao Sistema Nacional de Transplante (SNT). Os órgãos excedentes da Regional de Londrina vão para os receptores cadastrados no Sistema Nacional. ‘‘A prioridade é atender a região; em seguida, o órgão fica disponível para o SNT’’, informa Gláucia.
A 17ª Regional de Saúde lembra que a Central Regional tem o respaldo da lei estadual 11.210, de dezembro de 95, que autoriza a criação no Estado de centrais de notificação e transplantes de órgãos e tecidos, vinculados à Secretaria do Estado da Saúde. Além de Londrina, Maringá e Pato Branco terão centrais de transplantes. A cada três meses, a relação dos receptores do Estado será publicada no Diário Oficial do Estado.
A Regional de Saúde não tem hoje estatísticas sobre doações e transplantes feitos em Londrina. Com o novo trabalho, os dados estarão centralizados. ‘‘Em seis meses, já teremos sistematizadas essas informações’’, diz a enfermeira Elza Lara Bezerra, que também coordena a Central. A relação de 16 mil doadores, em vida, cadastrados na Central de Procura de Órgãos para Transplante (Cepot), que não funciona mais, será repassada à nova Central.
‘‘O objetivo principal é sistematizar os transplantes. Hoje, os hospitais estão sobrecarregados e não há um trabalho organizado para as doações’’, diz Gláucia Reis. A Central pretende intensificar o trabalho educativo. Podem doar órgãos pessoas de cinco a 75 anos. Gláucia explica que, para identificar a morte cerebral, é aplicada uma série de testes e exames conforme determinações do Conselho Federal de Medicina. A inauguração da Central Regional Norte de Transplantes será hoje, às 9 horas, na 17ª Regional de Saúde de Londrina.

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