Central pede mudança em lei de doação
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segunda-feira, 09 de março de 1998
Lúcio Horta 
Dorico da SilvaDificuldadesRoberto Takeda, da Central Norte de Transplantes: É impossível trabalhar com o que a lei determina hojeA Central Regional Norte de Transplantes (CRNT), que representa 98 municípios das regiões de Londrina, Apucarana, Cornélio Procópio, Jacarezinho e Ivaiporã, vai propor ao Conselho Federal de Medicina alterações no decreto 2268, de janeiro de 98, que trata sobre a nova lei de transplantes no País. Caso as mudanças sejam aceitas, será necessário revogar o decreto federal e publicar outro, com novo texto.
A idéia é permitir que, no caso específico do rim, o órgão captado possa atender com prioridade a lista de espera da própria região - e não mais a lista estadual, conforme determina a lei. Mas com um detalhe: pela proposta, o órgão só ficaria na Regional quando a compatibilidade entre os pacientes da fila estadual e o órgão a ser transportado - representada pelo HLA, ou anticorpo leucócito humano - seja inferior a 100%. Caso o HLA seja idêntico - o que é um fato raro, que garante uma sobrevida maior ao paciente transplantado -, o órgão viaja e atende a lista estadual.
A proposta já foi levada, na última sexta-feira, a uma reunião entre as centrais regionais de Londrina e Maringá e a Central Estadual de Transplante, em Curitiba. A coordenadora da Central Regional Norte, Elza de Lara Bezerra, explica que o objetivo não é privilegiar os pacientes que estão na lista regional, mas sim evitar que o órgão acabe se perdendo durante o transporte, deixando assim de ser transplantado.
O grande problema, que pode ocasionar a perda do órgão, é o tempo. Entre a retirada do órgão e o transplante, devem se passar, no máximo, sete horas. Há o risco também, segundo Lara Bezerra, de o tecido do órgão sofrer danos no período que ficou no gelo, sendo transportado. Além disso, quanto mais cedo o órgão for transplantado, menor o risco de rejeição.
Além do rim, a proposta poderá ser ampliada para as córneas. A coordenadora da Central Regional Norte explica que o tempo máximo entre a retirada e o transplante deste órgão, que é de 12 horas, é maior do que o do rim. A solução para manter o órgão em bom estado, no entanto, tem um custo muito alto. Já no caso do coração, a prioridade definida pela lei é mesmo a região de origem do órgão, já que o tempo máximo da retirada do doador e transplante é de duas horas.
O médico Roberto Takeda, cirurgião cardíaco da Santa Casa e também integrante da Central Regional, concorda com Lara. Impossível trabalhar do jeito que a lei determina hoje. Temos que mudar essa situação, é uma questão lógica, afirma. Se não fizermos isso, podemos perder órgãos. Takeda lembra que hoje são 340 pacientes da região que estão na fila aguardando um novo rim e aproximadamente 200 aguardam uma córnea.
No próximo dia 23 de março, haverá uma reunião com todos os centros de diálise do Paraná, mais as equipes de transplantes, para discutir o parecer da Central Regional Norte e anexar outras propostas. O resultado dessa reunião será enviado para o Conselho Federal de Medicina, em Brasília (DF), e também para a Sociedade Brasileira de Transplantes. Segundo Lara Bezerra, a questão deverá estar resolvida até maio, quando haverá a implantação do Sistema Nacional de Transplante.


