Central já viabilizou 32 transplantes
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terça-feira, 23 de junho de 1998
Osmani Costa 
Vinte transplantes de córneas, dez de rins e dois de corações. Este é o saldo dos seis primeiros meses de funcionamento da Central Regional Norte de Transplantes, criada no dia 12 de dezembro do ano passado. Responsável pela busca, retirada e transplantes de órgãos humanos em 98 municípios da região, a Central funciona na sede da 17ª Regional da Secretaria Estadual de Saúde, em Londrina.
Dos 32 pacientes receptores dos órgãos doados - que passaram por cirurgias na Santa Casa, no Hospital Evangélico ou no Hospital Universitário (HU) -, dois morreram: um que havia recebido um rim, e outro que havia tido o coração transplantado. Todos os órgãos foram retirados de doadores mortos. Neste mesmo período, a Santa Casa e o Hospital Evangélico realizaram outros sete transplantes de rins conseguidos de doadores vivos e parentes dos receptores. Este tipo de transplante não é intermediado pela Central, mas obrigatoriamente tem que ser notificado a ela pelos hospitais.
A Central mantém contato permanente com todas as Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) dos hospitais da região para identificar mortes encefálicas e procurar a família do morto para obter autorização por escrito para a retirada e doação dos órgãos. Nosso trabalho tem sido intenso, principalmente com palestras nas escolas e grandes empresas, com o objetivo de conscientizar as pessoas da importância da doação de órgãos para a recuperação e salvamento de outras vidas, comenta a coordenadora da Central de Transplantes, Elza de Lara Bezerra.
Não há como comparar os números de transplantes realizados com a intermediação da Central, porque antes do seu funcionamento não havia em Londrina um órgão que controlasse estes dados. A Central organizou a lista de doentes que esperam por uma doação em Londrina e cidades vizinhas. Hoje, são 510 no total: 11 necessitam de coração, 221 de córnea, e 278 de rim.
Além disto, a Central credenciou e fiscaliza rigorosamente o trabalho das equipes e dos médicos capacitados a realizar os transplantes. Os de corações e de rins são feitas pelas equipes do Evangélico e Santa Casa. Os de córneas, além destes dois hospitais, são feitos também pelo HU e por nove oftalmologistas credenciados; mas sempre nos centros cirúrgicos destes três hospitais.
Nenhuma clínica particular está credenciada a realizar transplantes em Londrina. Todo o processo do transplante - desde a captação do órgão, passando pela cirurgia, até o acompanhamento de recuperação - é gratuito, bancado com recursos do Sistema Único de Saúde (SUS), do governo federal. O paciente só tem despesa - com honorários etc. - caso prefira escolher um médico que não seja credenciado pelo SUS.
A Central Regional de Londrina está interligada através de computadores, 24 horas por dia, às outras centrais regionais, à Central do Paraná e às outras centrais estaduais. Isto possibilita, por exemplo, a troca de órgãos doados quando no local da captação não haja, naquele momento, um paciente em condições de se submeter ao transplante. Esta situação ocorre, notadamente, por questão de incompatibilidade entre o órgão doado e o receptor, o que causaria futura rejeição.
Dentro deste sistema integrado, nos últimos seis meses a Central de Londrina enviou quatro rins para a de Maringá e um coração para a de Curitiba, para a retirada das quatro válvulas cardíacas. No mesmo período, recebeu um rim e duas córneas vindos de Maringá, e três rins e duas córneas vindas de Curitiba.
A distribuição dos órgãos captados para transplante é feita de acordo com o tempo de espera na fila; a preferência é dos que estão doentes há mais tempo. Esta ordem só é mudada pela Central por motivos de incompatibilidade entre o receptor e o órgão disponível, ou em caso de emergência, que segue normas técnicas nacionais estabelecidas pelo Ministério da Saúde.
Isto garante uma distribuição justa e lícita. Aqui na Central, todo o processo de doação, captação, definição do receptor e o transplante é feito com absoluta transparência. Isto gera nas famílias doadoras e nos pacientes da fila de espera um segurança muito importante. Agora, para aumentar o êxito do nosso trabalho, o que necessitamos é do aumento do número de doadores, afirma Elza Bezerra.


