Central de Transplante completará 2 anos
Arquivo FolhaNo dia 13 de dezembro de 1995 o Paraná ganhou a sua Central de Transplantes, a segunda do País em nível estadual. A Central foi criada por um grupo de médicos da Sociedade Paranaense de Transplantes que se reuniu em junho de 95 e e elaborou o documento que especifica como a CT deve funcionar e como fazer a procura e captação de órgãos.
Ironicamente, o maior número de transplantes ocorreu no ano de 94, quando a novela Corpo e Alma estava no ar e a atriz Cristiana de Oliveira vivia a personagem Paloma - uma transplantada do coração. Foram 116 transplantes em geral. Em 95 o número caiu para 80 e em 96 subiu para 97.
A Central de Transplantes estabeleceu normas de segurança rígidas: são realizados dois exames no doador depois de constatada sua morte cerebral, com intervalo de seis horas entre os dois, ainda na UTI. Um dos exames é feito obrigatoriamente por um neurologista.
Há muita desinformação sobre a doação de órgãos. Por exemplo, os doadores não precisam ser necessariamente jovens. Não existe limite de idade para o uso de órgãos ou tecidos de uma pessoa em outra. O doador deve conversar com a família e explicar seu desejo para que os familiares, após sua morte, tomem as providências. Para se informar sobre a documentação o doador deve ligar para a Central de Transplantes (9-041-263-3322 ou 262-8267). A ligação é gratuita.
Se a morte ocorrer por parada cardiorespiratória poderão ser doados ossos, córneas, válvulas cardíacas, cartilagens e vasos sanguíneos. Em caso de morte cerebral podem ser doados cartilagens, coração, córneas, fígado, pâncreas, pulmões, rins, ossos e vasos sanguíneos.
Mesmo autorizada a doação, os órgãos só são retirados depois de comprovada a morte. Não há qualquer risco de se retirar órgãos de pacientes com vida, afirma Cristina Vonglehn, coordenadora estadual de transplantes.
Há uma série de critérios para os transplantes. Quem espera um rim sabe que os requisitos são a compatibilidade, o tempo em lista de espera e o tempo de hemodiálise. Fígado e coração são distribuídos pelo critério de urgência. As córneas por tempo de lista e, quando há empate, crianças até 7 anos têm prioridade.
O grande objetivo da Central de Transplantes, além da distribuição justa e clara dos órgãos doados, é a qualidade do serviço. É preciso que tenhamos 100% de certeza de que aquele órgão é o indicado para determinado paciente. Os problemas de rejeição são muito sérios, a manutenção de um transplantado muito delicada, para se arriscar. Não adianta fazer um transplante de rim para três meses depois o paciente voltar para a hemodiálise. Nós queremos garantir uma vida útil de cinco a sete anos para rins e até mais tempo do que isso para coração, afirma Cristina Vonglehn.
Para atender o interior do Estado estão sendo montadas centrais de captação em Londrina, Maringá, Cascavel e Pato Branco. As de Londrina e Maringá devem entrar em funcionamento ainda este ano.





