Central de Inquéritos diz que Polícia não pediu fitas
O juiz da Central de Inquéritos, Fernando Moraes, disse ontem que não recebeu nenhuma solicitação da Corregedoria da Polícia Civil para encaminhar as 84 fitas resultantes da escuta telefônica instalada na delegacia de Almirante Tamandaré, que apontaram o envolvimento de policiais com tráfico e roubo de carros. Eu não encaminhei porque a Corregedoria não fez requerimento, disse o juiz.
Na semana passada, o corregedor Renato Souza Lobo disse já ter enviado ofício à Central de Inquéritos, mas a informação é contestada pelo juiz. Eu não tenho conhecimento de nenhum pedido da Corregedoria e inclusive estive com um assessor do corregedor e não me foi solicitado nada nesse sentido, afirmou o juiz.
As fitas, obtidas com autorização da Justiça, estão com um perito criminal, cuja identidade o juiz prefere manter em sigilo, para não haver um corre-corre até o seu escritório. O juiz teme que haja um novo vazamento de informações, semelhante ao ocorrido quando o deputado Ricardo Chab divulgou trechos das fitas, obtidos de maneira duvidosa.
As gravações continuam criando um atrito entre o Ministério Público, que conduziu as investigações, e a cúpula da Polícia Civil, que afirmou não ter conhecimento dos fatos. Segundo o delegado-geral Artur Braga, se a Polícia soubesse que a delegacia estava grampeada, o tiroteio na praça 19 de Dezembro, no dia 2 de junho, poderia ter sido evitado. Os mesmos bandidos envolvidos no grampo foram os que marcaram um encontro na praça, para receber o resgate por uma caminhonete Explorer, roubada em Almirante Tamandaré.
O juiz Fernando Moraes prefere não alimentar a polêmica e diz que, como o conteúdo das fitas ainda não foi degravado, é precipitação afirmar que o tiroteio poderia ter sido evitado. Se a Polícia tiver que esperar mais alguns dias, isso não vai mudar o conteúdo das fitas. Mas antes precisamos degravá-las para então tirarmos as conclusões, disse o juiz, cauteloso. (E.B.J.)





