Central clandestina operava telefonia
Paulo Pegoraro
De Cascavel
A Polícia Civil de Cascavel está investigando uma quadrilha que pode estar operando centrais telefônicas clandestinas com ramificações em várias partes do País, através das quais são feitas ligações para todo o mundo sem que a conta seja paga às operadoras legais do sistema telefônico. As investigações foram iniciadas há uma semana. Na noite de anteontem a Polícia localizou uma central em Cascavel. Seis operadores de ligações foram presos, mas os supostos líderes da quadrilha não foram identificados alguns estariam em Minas Gerais.
A central que operava em Cascavel, em uma sala alugada nas esquinas das ruas Sete de Setembro e Maranhão, pode ter vinculação com pessoas de Foz do Iguaçu e Ciudad del Este (Paraguai). A possibilidade é considerada pela Polícia pelo fato da maioria das ligações serem para a Ásia e Oriente Médio, origem de boa parte dos comerciantes daquelas cidades. A operação técnica da central ainda é investigada, ocorreria principalmente com ligações a partir do próprio local, mas com a possibilidade também de receber e conectar para o exterior.
O gerente da Telepar em Cascavel Nelson Pereira explicou ontem que a quadrilha havia adquirido cinco linhas telefônicas em processo simples: pagaram R$ 10,58 por linha, apresentaram nome, CPF e endereço para instalação. Os serviços de telemarketing, por exemplo, adquirem várias linhas para um mesmo local, o que não levanta suspeitas. No caso da central clandestina, foram usados nomes e CPF de pessoas já falecidas, cujo registro na Receita Federal ainda não estava cancelado. Para acessar o exterior era usado o prefixo 21, da Embratel.
A Telepar só corta as linhas telefônicas após 45 dias sem o pagamento da conta. Por isso, as linhas utilizadas pela central que operava há um mês, poderiam ser abandonadas quando vencesse o prazo para pagamento. A quadrilha, no entanto, poderia continuar agindo ao adquirir outras linhas, se não tivesse sido pega. O superintendente da 15ª Subdivisão Policial (SDP) Antonio Volney disse ontem que faturas encontradas no local têm valor de aproximadamente R$ 300 mil. O gerente Nelson Pereira estima que o valor chegue a R$ 1 milhão, incluindo-se operações através de Foz do Iguaçu.
Em Foz, uma central foi montada e funcionou durante alguns dias em setembro até ser descoberta, revelou Nelson Pereira. Não há ainda informação de quanto os usuários do serviço clandestino pagavam por ligação à quadrilha. A Polícia acha que um homem identificado apenas como Sílvio da Cunha seja um dos chefes ele ligou de Minas Gerais para a central em Cascavel, no início da noite de anteontem. No local foram presos Nelson Francisco da Silva, 28 anos, Frank Bruck, 23, Almiro Coelho da Silva, 21, oriundos de Foz do Iguaçu, Jailson Correa, 24, de Recife (PE), e dois menores de Cascavel.
Os seis, que eram apenas contratados (informalmente) para fazer as ligações, foram ouvidos e liberados ontem cedo para responder inquérito em liberdade. A Telepar e a Embratel só poderão tentar se ressarcir dos prejuízos caso sejam presos os chefes da quadrilha. O delegado-chefe da 15ª SDP Haroldo Davison disse que está sendo considerada a possibilidade que o serviço clandestino de telefonia pudesse estar sendo usado para fins ilícitos, de grupos ligados ao crime organizado. Davison chegou a especular sobre o tráfico de drogas, que tem ramificações na fronteira com o Paraguai.





