Centenas de pombas morrem em praça
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terça-feira, 02 de fevereiro de 1999
Alexandre Sanches 
Pelo menos 300 pombas foram encontradas mortas ontem de manhã no centro de Arapongas (37 km a oeste de Londrina). Por volta das 7h30, as aves começaram a cair das árvores e telhados dos prédios vizinhos, apresentando sinais de intoxicação. Restos de ração - provavelmente envenenados - foram encontrados espalhados pelo chão da praça da Igreja Matriz, local onde se agrupam diariamente mais de 600 pombas. O banheiro público, que também fica na praça, foi incendiado de madrugada.
A prefeitura registrou queixa-crime e um inquérito policial foi aberto para investigar a autoria do crime ambiental, que é inafiançável. Técnicos do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) recolheram amostras da ração e alguns animais mortos. Eles serão enviados para a Universidade Estadual de Londrina (UEL) para análise laboratorial. O laudo deve sair em uma semana.
Durante todo o dia, aves eram vistas agonizando na área central. Arapongas é conhecida como Cidade dos Passarinhos por ter todas as ruas batizadas com nome de aves. Na praça da Igreja Matriz, cartão-postal da cidade, é comum ver crianças brincando com as pombas e famílias aproveitando o local para tirar fotos.
Há pouco mais de seis anos, membros da Igreja Matriz tentaram retirar as pombas da área, pois elas faziam muita sujeira dentro do prédio. A população se mobilizou e a prefeitura fez reformas para evitar que as pombas entrassem no prédio.
Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura, o prefeito José Aparecido Bisca (PFL), que está em Curitiba, ficou sabendo da mortandade de pombas por telefone. Durante todo o dia, funcionários da prefeitura recolheram os animais mortos, enchendo vários sacos. Os animais foram incinerados. No final da tarde os bombeiros fizeram a retirada de pombos dos telhados das lojas em volta da praça e do antigo Mercadão.
A polícia ainda não tem pistas dos autores deste crime, mas a assessoria de imprensa da prefeitura suspeita de um grupo de pessoas que atuavam como flanelinhas (guardadores de carros) na praça da Igreja Matriz. Houve denúncias de que eles cobravam dos proprietários de veículos que estacionavam os carros para assistir as missas e faziam ameaças quando não recebiam.
Há 15 dias, o Departamento de Ação Social, juntamente com a Polícia Militar, começou a fazer um trabalho de conscientização para coibir a exploração dos flanelinhas. Na semana passada, com a proibição da atividade dos guardadores de carros na área central, uma funcionária da prefeitura foi ameaçada de morte. A polícia montou guarda na casa da servidora para evitar que o local fosse incendiado, disse a assessora Magda Saravy.


