Trinta e nove pessoas estão na fila do Hospital Universitário (HU) de Londrina para realizar cirurgias no ouvido. Falta de estrutura e de anestesistas contribuem para a demora, tanto que a diretoria clínica do HU suspendeu o recebimento de novos casos.
Em 2006, um equipamento chamado micromotor, utilizado em cirurgias decorrentes de infecções gerais do ouvido, quebrou e foi roubado quando era levado para o conserto. Só em julho do ano passado o HU adquiriu um novo aparelho e as cirurgias foram retomadas em outubro. No entanto, até agora apenas cinco procedimentos foram realizados.
Pelo menos 160 pessoas com problemas de ouvido, encaminhadas pela Secretaria Municipal de Saúde e pelo Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paranapanema (Cismepar) aguardam para serem atendidas no Hospital das Clínicas e posteriormente no HU, em caso de cirurgia.
A Diretoria de Avaliação, Controle e Auditoria da Secretaria Municipal de Saúde informou à FOLHA que desde maio do ano passado nenhum paciente com problema de ouvido está sendo encaminhado para o HU. ''Não tem para onde ser encaminhado. Eles estão tendo que aguardar'', disse uma funcionária.
Na fila de espera para a ciruriga desde 2006, Carlos Rodrigo Givigier, 16 anos, sofre com o problema. Com o tímpano perfurado há pelo menos três anos, o estudante tem secreções frequentes. O problema de Carlos Rodrigo só pode ser resolvido por meio de uma cirurgia pelo Sistema Único de Saúde (SUS), já que a família não tem condições financeiras de bancar um atendimento particular.
A mãe do adolescente, Luzia Givigier, disse que a demora traz vários prejuízos, e cita como exemplo o dinheiro gasto para comprar antibióticos. ''Cada caixa custa R$ 150, fica muito difícil para a gente pagar, sem contar que ele sofre com isso'', comentou. Carlos Rodrigo lembra que já nasceu com o problema, mas que de há cerca de cinco anos a situação piorou. ''Cheguei a ficar 25 dias internado, perdendo aula. Quando vou para escola, às vezes não escuto o professor falar direito, outras vezes escorre a secreção com um cheiro forte e eu nem podia ficar perto dos colegas. É muito ruim e eu não gosto de ficar tomando esses remédios fortes'', disse o estudante que cursa o 3º ano do Ensino Médio.
A assessoria de imprensa do HU informou que há falta de anestesistas para a realização das cirurgias e que a demanda só deve ser retomada quando a lista de pacientes aguardando pelo procedimento diminuir.

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