Londrina terá pela primeira vez um retrato dos hábitos e saúde bucal de seus habitantes. Dentistas e auxiliares estão visitando os bairros Chefe Newton (Zona Norte), Bandeirantes e Jardim Tóquio (Zona Oeste), coletando informações para o censo nacional de saúde odontológica.
''O objetivo do Ministério da Saúde é mapear e avaliar as principais doenças presentes em diferentes faixas etárias para encaminhar ações que visem a promoção da saúde bucal da população'', explicou Oswaldo Pires Carneiro Junior, gerente de Odontologia da Secretaria Municipal de Saúde e coordenador do programa Saúde Bucal Brasil 2010 (SB Brasil 2010) em Londrina. Os trabalhos começaram no final de março.
Segundo Carneiro Junior, na amostragem reduzida - que deve ser concluída até maio - serão visitados cerca de 900 domicílios para a realização de 50 exames. Depois a equipe será ampliada e realizará 1,5 mil exames. O levantamento epidemiológico está sendo realizado em 27 capitais, 250 municípios e mais o Distrito Federal. No Paraná, 19 municípios, além de Curitiba, participam do estudo.
Os municípios são escolhidos por sorteio e o ministério indica os bairros e as residências onde o levantamento deve ser feito. As faixas etárias obedecem protocolos do Ministério: crianças de 5 anos, adolescentes de 12 anos, jovens entre 15 e 19 anos, adultos entre os 35 e os 44 anos, e idosos de 65 a 74 anos.
Grau de satisfação
Conforme Carneiro Junior, a equipe se preparou desde novembro, quando representantes londrinenses participaram de uma oficina em Curitiba para a aplicação dos protocolos do Ministério da Saúde às atividades práticas. De volta a Londrina, foi realizado um exercício de calibração para se estabelecer um padrão de diagnóstico.
As famílias que serão visitadas pelos dentistas recebem, com antecedência, agentes de saúde que prestam esclarecimentos sobre os exames e procedimentos a serem aplicados. Os participantes respondem a um questionário socioeconômico e sobre o grau de satisfação com a saúde bucal. ''Conforme a faixa etária avaliamos a condição de oclusão, traumatismo dentário, fluorese, uso ou necessidade de prótese e diagnóstico de cárie dentária'', pontuou o coordenador do levantamento. Quando diagnosticada alguma doença, a pessoa é orientada a procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) que realize o atendimento odontológico.
A residência da dona de casa Ivone Francisca Condó, no Jardim Sabará (Zona Oeste), foi selecionada para integrar a amostragem. Ao responder ao questionário, ela disse que estava descontente com a saúde bucal. ''Esteticamente meus dentes estão bonitos, mas tenho problema com um implante e má oclusão. Na infância escovava os dentes apenas uma vez ao dia e de maneira incorreta. Acho que levei sorte. Já com os meus filhos fui mais rigorosa nos cuidados com a escovação e consultas odontológicas. Dentes bonitos e saudáveis são fundamentais para a autoestima'', ressaltou.

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