Londrina
Cerca de 13% das 334 crianças em idade escolar obrigatória (de sete a 14 anos), moradoras do conjunto Novo Amparo (zona leste), estão fora da escola. A situação é mais grave na faixa etária entre os 11 e 14 anos, que representa aproximadamente 74% dos que não estão estudando.
Os dados foram levantados pela Secretaria municipal de Ação Social, em parceria com a Pastoral da Criança, que também mantém trabalho de assistência no bairro.
Nos últimos três anos, o índice de evasão escolar na escola municipal Elias Carvan, que serve ao conjunto, duplicou na 2ª série; quadruplicou na 4ª série; e aumentou sete vezes entre os alunos da 3ª série. Os dados, esclarece Carmen Sperandio, do projeto Oficinas da Secretaria de Ação Social, alertaram sobre a gravidade do problema. ‘‘Decidimos pela realização da pesquisa para saber o número real de crianças fora da escola e os motivos da evasão.’’
Sperandio explica que os dados da evasão escolar mostram apenas as crianças que foram matriculadas e depois desistiram. ‘‘O objetivo da pesquisa era levantar também o número daqueles que nem chegaram a se matricular’’, complementou.
A equipe envolvida no censo visitou as 365 casas do conjunto, onde moram 736 crianças e adolescentes entre zero e 18 anos. E constatou que, na maioria das vezes, os menores contam com a anuência ou descaso dos pais que não incentivam o retorno aos estudos.
Para tentar contornar o problema, uma equipe da Secretaria de Ação Social começa, já na próxima semana, a visitar as famílias para conversar com os pais dos menores que não estão estudando. A Ação Social pretende saber o porquê do desinteresse dos pais em ver os filhos na escola para buscar solução para o problema.
Paralelamente, o projeto Oficina vai passar a oferecer atividades específicas para essas crianças. Carmem Sperandio explica que a equipe do projeto vai passar por um treinamento especial para fazer o atendimento, dando prioridade às atividades que elevem a auto-estima das crianças. A meta é incentivá-las para voltar para a escola no próximo ano letivo.
A pesquisa levantou ainda a falta de vagas nas creches do conjunto para crianças de zero a dois anos - 117 crianças. A Ação Social pretende defender, junto ao Conselho Municipal de Assistência Social, a construção de um berçário e o aumento de vagas na creche do Conjunto. Atualmente a creche tem capacidade para atender até 70 crianças de três a seis anos.
Os resultados da pesquisa serão encaminhados também aos conselhos municipais dos Direitos da Criança e de Assistência Social. A Prefeitura quer mobilizar a sociedade organizada para poder promover a ‘‘volta à escola’’ em todas as regiões do município.

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