Cerca de 40 mil famílias de agricultores residentes em 34 municípios paranaenses estão passando por um recenseamento diferente. A Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Paraná (Fetaep) quer saber quantos produtores rurais estão sem carteira de identidade, título de eleitor, carteira de trabalho e CPF. A entidade quer resgatar a cidadania destas pessoas, facilitando o acesso a empréstimos para a safra e derrubando barreiras burocráticas da aposentadoria.
‘‘É uma oportunidade de conscientização da cidadania que começa com os documentos’’, diz o presidente da Fetaep, Antônio Lúcio Zarantonello. A previsão é de que os dados estejam prontos no final deste ano. Em cada cidade haverá um grupo de monitores recrutados pela Fetaep para entrevistar as famílias. Após a tabulação das informações, cada município sediará um seminário com os agricultores. O objetivo é facilitar o acesso das famílias aos locais responsáveis pela confecção dos documentos.
A campanha denominada ‘‘Mutirão da Cidadania’’ conta com o auxílio do Serviço de Identificação da Polícia Civil, Delegacia Regional do Trabalho, Universidades Livre do Trabalho e Estadual de Londrina, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Secretaria de Segurança Pública, Ministério Público, TRE, OAB e Receita Federal.
O projeto para estender um direito básico aos agricultores é inspirado numa campanha feita entre 1996 e finalizada em abril deste ano no Espírito Santo. Nos 19 municípios em que o trabalho foi feito foram catalogados 74 mil agricultores, dos quais 27 mil não tinham documentos. ‘‘Nossa campanha trará informações sobre as dificuldades que os trabalhadores enfrentam para tirar os documentos’’, lembra Zarantonello.
O vice-presidente da Fetaep, Luís Perin, revela que a situação mais crítica em relação aos agricultores desamparados pela documentação pessoal está concentrada nas regiões Central, Norte e Noroeste do Paraná. ‘‘Queremos que eles se tornem cidadãos e não marginais que fiquem fora da sociedade’’, ressalta.

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