Mário CésarNa fazendaMaria de Oliveira passou a manhã no acampamento com as famílias de sem-terra, em Tamarana, onde o clima, ontem, ainda era tenso: a superintendente do Incra pediu para que deixassem a áreaA superintendente do Incra no Paraná, Maria de Oliveira, passou a manhã de ontem no acampamento de 42 famílias de sem-terra, montado numa área próxima à entrada da fazenda Borborema, a 8 quilômetros de Tamarana. Preocupada, ela foi solicitar aos sem-terra que deixassem a área. ‘‘O clima é muito tenso e há chance de novo conflito.’’
A repercussão da morte do segurança José Lopes de Oliveira, 36 anos, conhecido como Django, ‘‘foi muito grave’’, disse Maria de Oliveira. Ela deve se reunir amanhã com o presidente do Incra e com o ministro da Justiça para apresentar detalhes do que aconteceu no local.
Para a superintendente, o protocolo de intenções firmado no dia 15 de março, pela Sociedade Rural do Paraná e Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) - estabelecendo o fim da Patrulha Rural e das ocupações na região de Londrina - ‘‘deixou um vazio em relação às áreas ocupadas’’.
A diretor estadual do MST José Damasceno disse, pela manhã, que a decisão de permanecer ou deixar a área só deveria ser tomada hoje à tarde. ‘‘Queremos reabrir as negociações que foram rompidas pelos proprietários ao colocar jagunços’’, disse. ‘‘Mas vamos negociar só com o Governo Federal a partir de agora.’’ À tarde, a direção havia mudado de idéia e anunciado que a área seria desocupada em 24 horas.
Segundo Damasceno, a morte do segurança contratado por Pedro Ribeiro, arrendatário de 110 alqueires da fazenda, foi resultado da violência ocorrida no dia anterior, quando os sem-terra foram obrigados a deixar o local. ‘‘Foi uma ação coletiva. Todo mundo perdeu a cabeça, houve um confronto e, no confronto, a morte.’’
No acampamento, ontem, as cenas de violência ocorridas sábado e domingo ainda eram tema de conversas. ‘‘O Django foi para os quintos dos infernos’’, disse sorridente a menina Jéssica, de seis anos. A mãe, que não quis ser identificada, contou que os seis filhos estavam assustados com a violência ocorrida. ‘‘O Django disse que já tinha matado 80 e que para completar 81 seria fácil. Olhou para minha filha e disse que gostava de matar moça bonita.’’ Assustada, a sem-terra contou que passou a noite com os filhos no meio do mato pois estavam com medo dos seguranças. ‘‘A pequena acordou assustada à noite e começou a chorar lembrando do que aconteceu.’’

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