Quem já visitou a represa Capivara, na cidade de Primeiro de Maio (61 Km ao norte de Londrina), deve ter conhecido um ambiente com muitos pescadores, barcos, jet-skis e água, muita água.
O reservatório tem 515 quilômetros quadrados e capacidade de armazenamento de 5,7 bilhões de metros cúbicos, porém está com apenas 21,6% do volume útil ocupado. A água que falta, aproximadamente 4 bilhões de metros cúbicos, seria suficiente para abastecer toda a região metropolitana de Londrina - que consome, segundo dados da assessoria de imprensa da Sanepar, 54 milhões de metros cúbicos/ano - por mais de 70 anos.
Com o nível da represa tão baixo, poucos pescadores se arriscam a pôr os barcos na água. Diversas ilhas se formaram, e galhos que estavam submersos impedem a navegação. Praticar esportes náuticos é quase impossível. De acordo com Reginaldo Velasco, diretor de turismo da Prefeitura Municipal de Primeiro de Maio, o movimento no terminal turístico da cidade (Paranatur) diminuiu 80%. ''Nesse último fim de semana não veio ninguém'', lamentou Velasco.
O baixo movimento já reflete no comércio. O presidente da Associação Comercial e Industrial de Primeiro de Maio (ACIPM), Eudes Batistão de Mello, calcula que 30% do dinheiro que circula nos estabelecimentos comerciais da cidade é proveniente dos turistas atraídos pela represa.
''A situação está terrível para os nossos comerciantes. Além da falta de dinheiro na agricultura, agora também existe o problema da falta de água no reservatório. Temos oitocentas chácaras de lazer na orla da Capivara, boa parte dos proprietários são de outras cidades e vêm a Primeiro de Maio nos finais de semana para descansar, porém, com a represa desse jeito, o pessoal deixa de vir, principalmente os praticantes de esportes náuticos'', relata Mello.
O comerciante José Angeloni, que há 13 anos mantém uma lanchonete ao lado da ponte sobre a represa, na entrada da cidade, um dos locais mais procurados pelos pescadores, diz que o movimento neste período está 70% menor.
Para manter a freguesia, ele se esforça em oferecer boas condições aos pescadores. ''Cortamos capim e colocamos ao lado dos trapiches flutuantes, isso atrai os peixes. Os camarõezinhos (pitus) que servem de iscas estão no meio do barro, temos que procurar muito para achá-los'', conta Angeloni.
Mesmo assim, ele está otimista quanto à volta do reservatório ao nível normal. ''Em 1999 vivemos situação parecida, é só fecharem as comportas lá na barragem que a água sobe rapidinho''.

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