Cena de rua
ELA VOLTA JÁ
A bruxa saiu. Foi dar uma voltinha, mas volta já. É preciso mesmo ser feiticeira para conseguir estacionar no Centro de Londrina. Daqui a pouco ela vai chegar e o garoto da Zona Azul não se espantará com a dona da vassoura. O menino dirá, insistente como manda a função: A senhora não quer levar o talão inteiro? A bruxa passou por Londrina e resolveu usar o telefone da Sercomtel antes que privatizem. Ela já esteve aqui quando o Belinati precisou cumprimentar o Requião e reafirmar que apóia Lula para presidente. Ela deu o ar da (des)graça quando as estradas rurais foram elevadas à condição de sub-rodovias, acabando com o sossego campestre. Na inauguração da Dixie Toga, a bruxa conseguiu ver a cara de brava da vice-governadora. Mesmo escondida no meio da multidão, a feiticeira conferiu a dona Emília acordar do sonho do Senado. Até uma ponte de madeira, coitada, partiu ao meio quando a bruxa visitou a região. Ela andou estimulando umas fuguinhas em massa de presos, sem falar na derrota do Tubarão bem na estréia. Ela vem para cá com bastante facilidade. Bruxa não paga pedágio, porque o carro dela não tem eixo. A feiticeira passa por cima da guarita e da concessionária. Agora, a madame está na Cidade. Foi dar um passeio por aí. Quando voltar, ligará para umas colegas de profissão pelo Fale-Fácil sobrenatural. Posso até imaginar suas palavras: Venham pra cá, meninas. É tão bom trabalhar nesta Terra Vermelha!
(Paulo Briguet)





