Acabou a tarde de Primeiro de Maio e nada aconteceu. Nada de caixa de som, nada de companheiros, nada de palavras de ordem, nada de questões de ordem, nada de propostas, nada de faixas, nada de palmas, nem vaias, nada de nada. Houve muitos dias primeiros de outros maios, em que a Concha Acústica de Londrina fazia jus ao próprio nome. Repercutia, reverberava, gritava, incitava, reivindicava, unia. Fazia-se audível. Agora, cadê todo mundo? Quem desmobilizou a companheirada? Certa vez um antigo prefeito teve idéia de construir lá um estacionamento subterrâneo e acabar com a Concha. Escândalo! Trabalhadores de todas as categorias bradaram contra a absurda proposta de destruir a praça, que é do povo como o céu é do condor e do avião. O prefeito voltou atrás. Se o Belinati resolvesse fazer a mesma loucura hoje, haveria protesto? Ontem, melancólico Primeiro de Maio dos tempos globalizados, dos tempos desempregados, a pobre Concha só fez eco ao silêncio. Esteve solitária e vazia. Antes este feriado era questão de honra. Ontem foi apenas uma sexta-feira a mais, uma diminuição da semana útil, um prolongamento da folga para os que têm emprego e da dureza para os que não têm. Ninguém se deu ao trabalho de aparecer. O quórum de moscas não garantiu conquistas e direitos. Será que os primeiros de maio voltarão a ser como antes? A luta continua? Pelo menos até o fechamento desta edição, a Concha continuava sem acústica.

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