Cena de rua
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 28 de abril de 1998
RECADO AO MANDA-CHUVA 
São Pedro, pelo amor de Deus! Manda chuva que eu tenho filho pra criar, aluguel pra acertar, compra do mês pra fazer e pé-de-meia pra começar. Eu queria tanto chuva razoável... uma chuva na medida. Que não venha apenas garoa paulistana, mas também não precisa soltar um aguaceiro desses que enchem o rio, desmontam casa e levam gente. Deixa chover, São Pedro, mas não exagera na dose. Quando chove bem chovido, as sementes germinam, as plantas brotam, a moça de camiseta branca fica mais bonita, é gostoso dormir, o carro sujo ganha lavagem grátis, a queimada perigosa acaba, o pessoal joga bola assim mesmo, o pajé lá de Roraima firma reputação, cresce o movimento dos táxis e ainda por cima a calha faz aquele barulhinho delicioso de ouvir. Pedrão, quebra essa, antes que apareça o fiscal da Comurb! Manda nuvem, manda trovão, manda água! Ninguém quer ficar molhado (com exceção de alguns ex-hippies saudosos de Woodstock e de Iacanga). Ninguém gosta de tomar chuva - e eu tenho a solução. São Pedro, com todo respeito, esquece um pouco essa portaria do Céu, pede autorização para o Manda-Chuva e abre a torneira. Cadê o apoio à economia informal, Pedroca?
(Paulo Briguet)


