Cena de rua
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 04 de agosto de 1997
A DUPLA 
Mário César- A zona rural acordou às 5 horas, com o galo e a rádio AM.
- A zona urbana acordou às 7, com o alarme e o disc-jóquei.
- João ouviu o trator.
- Priscila escutou a serra giratória.
- A fazenda vestiu camisa quadriculada.
- O edifício pôs calça de marca.
- A estrada de chão brincou com o cachorro vira-lata.
- O asfalto navegou na Internet.
- O campo tomou café passado no coador de pano.
- A cidade tomou sucrilhos com leite.
- A fazenda fez sinal para o ônibus da Francovig.
- O edifício chamou o elevador.
- O sítio colocou a enxada no ombro.
- O apartamento amarrou a blusa na cintura.
- Lerroville pôs o chapéu.
- O centro de Londrina escovou os cabelos.
- A roça é audaz na terra, hesitante na calçada.
- A urbe é hábil no cimento, medrosa no mato.
- Descobrindo Souza Naves, ele já teve susto no semáforo.
- Conhecendo Guaravera, ela já contraiu bicho-do-pé.
- Na rua Piauí, a figura camponesa marcha como soldado.
- Na rua Piauí, a representante da classe média urbana está em casa.
- O personagem da fazenda - ou da festa junina? - olha a menina que passa.
- Quem não vive na cidade também é cidadão.
(Paulo Briguet)


