Cena de rua
Te cuida, Constantino. Atenção, Francovig. Veja só, Lopes. Que coisa, Cléber Tóffoli. O transporte alternativo chegou. Olha o gás! Não precisa ter carteirinha da Comurb. O passe é livre. Nesse ônibus malandro, há lugar para três ou quatro passageiros em pé (se moleques) e quarenta sentados (se botijões). Não há catraca. Não tem escala no terminal. Tem motorista, mas nem se vê a cara do dito. O veículo pára nos pontos conhecidos como espera-o-sinal-vermelho, que também atendem pelo nome de aproveita-que-parou. Olha o gás! A chegada do ônibus a céu aberto se prenuncia com a barulheira dos cachorros, que não suportam o som de um botijão roçando no outro. Olha o gás! Vai gás, dona? As vozes ficam mais próximas. O grupo de passageiros mirins espera o grande momento: o pulo. Na precária segurança da carroceria, os pingentes da avenida Duque de Caxias chacoalham sua imprudência de boné e calça curta, tênis e camiseta. Só não pensam na tradução mais exata da imagem acima: perigo. (Paulo Briguet)





