Cena de rua
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 09 de março de 1999
Dorico da SilvaÉ ELA DE NOVO! 
Síndrome de Tiazinha: transtorno psicológico caracterizado por rompantes obsessivos e tentativas desesperadas de arrumar um troco para comprar revistas masculinas longe das vistas da mãe e/ou esposa e/ou namorada. O paciente em geral é adolescente, ou adulto barbado acometido de súbita regressão à puberdade. A pessoa que sofre da síndrome de Tiazinha vê coisas - geralmente máscaras, chicotes, saltos altos e lingeries de cor preta - em toda parte. Na nomenclatura médica, convencionou-se chamar esses pacientes de sobrinhos. A doença atingiu milhões de habitantes de um país latino-americano. É uma síndrome com sintomas repetitivos: o sobrinho liga a TV, sintoma; abre a revista, sintoma; liga o rádio, sintoma; abre o jornal, sintoma; conversa com os amigos, sintoma; deita para dormir, sonha sintoma; vai chamar a namorada, e diz o nome do sintoma. Um curioso detalhe envolve a doença, segundo a opinião de vários especialistas: o adolescente (ou adulto) em geral se nega a receber tratamento e gosta de ficar doente. Ontem mesmo, na porta de uma banca de jornais, no centro de Londrina, a população masculina jurou ter visto uma Tiazinha. A moça cativou a moçada com suas armas habituais. Seria uma impostora? Um clone? Delírio dos pés-vermelhos? Miragem de uma tarde de verão? Nada disso. Era uma aplicada imitadora, que nem precisou tirar a máscara.


