Cena de gabinete
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 27 de novembro de 1997
O PARADOXO 
O que está escrito na penúltima frase deste texto é verdadeiro. Reconheço que a Prefeitura de Londrina anda pregando a redução de despesas. Lógico que os padrões de disciplina são importantes para administrar o município. Evidente que os gastos com energia precisam ser diminuídos. A gente entende que a hierarquia deve ser respeitada. Mas essa norma de um gabinete da Prefeitura, exposta acima, parece um pouco estranha, não acham? PROIBIDO LIGAR OU DESLIGAR. Eis o que os filósofos gregos chamariam de paradoxo. Um equipamento existe para ser ligado ou desligado, não é verdade? Na medida em que é impossível fazer uma ou outra coisa, já que a regra impede, o que vai acontecer? Será este um aparelho auto-suficiente, um robô ultra-sensível que sabe a hora de começar ou parar a sua atividade mecânica ou eletrônica? Nesse caso, por que existiria a tomada? Pois bem, vamos analisar outro aspecto do problema: se ligar e desligar o referido equipamento são tarefas para raras pessoas com especial autoridade e infalível discernimento, e se permitem uma sugestão, seria melhor colocar um recado, digamos assim, mais compreensível para os seres humanos comuns. Um aviso mais ou menos como: FAVOR NÃO MEXER. Caso contrário, poderemos em breve ter, espalhadas por aí, normas singulares do tipo PROIBIDO ENTRAR E SAIR, FAVOR FALAR E CALAR, EVITE SER OU NÃO SER, NÃO LEVANTE E NÃO SENTE, POR GENTILEZA FUME E NÃO FUME ou até o consagrado É PROIBIDO PROIBIR, nascido das barricadas de 68 e cantado por um certo baiano. O que está escrito na primeira frase deste texto é falso. Paradoxo é assim - ou não.


