Bela Vista do Paraíso - Um teatro sem vida e sem espetáculo. As cortinas que na década de 60 revelaram a essência cultural do Estado e atraíram centenas de paranaenses ao Teatro Municipal Geraldo Moreira, em Bela Vista do Paraíso (Norte), escondem hoje um cenário completamente inverso.
O palco, que por inúmeras vezes abrigou espetáculos do grupo teatral Bela Vista de Comédia (TVBC), como ''Deus e a Natureza'', peça de estreia do local e também o ''Auto da Compadecida'', de Ariano Suassuna, encenada em 29 de julho de 1962, está entregue agora ao abandono. Uma cena triste para os 50 anos de fundação, comemorados no próximo ano.
A estrutura de madeira não resistiu ao tempo e em abril de 2009 parte do teto desabou. De lá para cá, os prejuízos só ganham novas proporções. Sem cobertura, o piso de madeira descolou e os vidros também não suportaram tamanho abandono.
Os banheiros estão desativados e a biblioteca agregada ao local não sobreviveu. Hoje, o que restou do espaço de 1.200 metros quadrados de área construída em forma do 14 Bis, com capacidade para abrigar 500 pessoas, foi apenas o Museu Gecy Fonseca.
''O teatro foi fundamental para o desenvolvimento artístico daqui. O fato de uma cidade pequena abrigar um dos primeiros teatros do Interior do Paraná, era um fato estrondoso na época e por isso, atraía visitantes de várias cidades. A cidade era reconhecida pela cultura artística'', lembra Shuko Kamita, moradora há 50 anos.
Ela, que é professora aposentada, não esquece de um evento grandioso, realizado no local. ''Foi uma exposição muito interessante, promovido por uma escola para comemorar a chegada do homem à lua. É lamentável ver que hoje ele está abandonado, sem vida'', conta.
Ousadia
Os espetáculos realizados no teatro eram beneficentes. A renda arrecadada era revertida a entidades filantrópicas e no pagamento de despesas básicas, como montagem e limpeza. Seus fundadores, na maioria integrantes do TVBC, inclusive o homenageado Geraldo Moreira, chegaram muitas vezes a arcar com as despesas dos próprios bolsos.
Nenhuma novidade para uma época em que a cultura era mantida pela ousadia dos interessados e disseminadores da arte, que enfrentaram censura e pobreza de recursos e apoio.
Com este cenário, em menos de duas décadas, o tempo áureo do teatro municipal perdeu o brilho e sua sobrevivência passou a depender apenas do amor à arte e dos aplausos das poucas peças que eram encenadas ali.
Em 1989, a FOLHA publicou uma matéria sobre a inatividade do local, que pela ausência de seus entusiastas deixou a característica de teatro e se transformou em um salão de festas.
''É uma pena, porque hoje, não temos um lugar adequado para festividades. O ideal seria uma grande reforma'', diz a professora de Sociologia Ângela Alvin Pires, que para mobilizar a comunidade sobre a necessidade de revitalização do teatro criou junto aos alunos do Ensino Médio do Colégio Sagrado Coração uma comunidade no Orkut intitulada ''Abrace o teatro de Bela Vista do Paraíso''. Em um mês, cerca de 150 membros foram cadastrados.

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