Geração angústia- Quem é adolescente neste início de século sabe de pouca coisa sobre a época em que os trens transportavam muito mais que grãos ou combustível. Quando a linha férrea fazia germinar cidades da noite para o dia, quando o desemprego não estava entre as principais angústias da juventude. É. Havia muita coisa para se fazer nos sertões e nas metrópoles. E não era preciso muito mais que força nos braços para ganhar a vida e o que se chamava de dignidade. Mas aí vieram as máquinas, a tal qualificação profissional, a nova ordem mundial, a sociedade de consumo e as ambições incontroláveis. Ficou difícil evitar o ócio que deixa a panela vazia. Os jovens caminham cabisbaixos, tentando manter-se na linha. E a curva da vida esconde o que vem a seguir. (Lúcio Flávio Moura)

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