CENA
ROTINA O pacote humano no banco de praça não permite que se veja seu rosto, como se a condição de miséria súbito lhe tirasse até mesmo a identidade, o direito de ser uma pessoa. A visão de um homem sem casa e sem condições de vida passa a ser mero item indesejado na mobília da paisagem. É neste ponto que as coisas se tornam perigosas, em que cenários de pobreza se tornam comuns a ponto de não mais despertarem piedade. Como um órgão que se cansa de sentir dor e finalmente se rende à insensibilidade absoluta. (Fábio Galão)





