CENA
Calor humano - O outono é uma preparação para o inverno curto de Londrina. Volta de hábitos hibernados: rosto na janela para calcular o frio; guarda-roupa se abrindo, peças esquecidas passando por avaliação, chuveiro na chave quente, vapor no espelho. A cidade quase tropical, começa a clamar por abrigo. Abrigo físico e abrigo humano. Todo mundo se torna mais frágil com um termômetro marcando menos de 15 graus centígrados. Na periferia, esta fragilidade está em cada imagem, nas registradas e nas não-registradas. O garoto dispensou peças mais volumosas em seu figurino. As poucas opções estão no varal. Ocasião propícia para usar o sangue quente e os pêlos do bichano. Fugir dos rigores da brisa de maio ao mesmo tempo que acalenta a alma. A expressão de ambos é de satisfação. Uma troca de sensações na qual ninguém perde. Só o frio. (Lúcio Flávio Moura)





