É BRINCADEIRA... Enquanto Ritinha sobe, Paulinho desce. Aterrissa. Enquanto Paulinho corre, Ritinha desce. Aterrissa. Enquanto Tonico joga areia no tobogã de metal, Paulinho sobe desavisado. Enquanto Ritinha corre, Paulinho se suja e se enerva até chegar ao chão. E, enquanto Tonico joga água escorregador abaixo e enquanto Paulinho se vinga com um safanão, Ritinha desce, molha o uniforme, chora de medo do castigo da mãe. E enquanto os três se puxam, se empurram, rolam no gramado, as lágrimas de Ritinha vão se transformando em gargalhadas. Os garotos vão substituindo tapas de verdade por tapas de mentirinha e a energia infantil lhes convida para mais uma escorregada, desta vez tripla. O playground da praça no Conjunto Cafezal 2 guarda histórias singelas que um dia Rita, Paulo Roberto e Antônio Marcos vão esquecer assoberbados em repartições ou em canteiros. Hoje o parquinho se resume a uma melancólica passagem balizada por ferros retorcidos e enferrujados. As histórias singelas com personagens volúveis têm um palco a menos. (Lúcio Flávio Moura)

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