CENA
DEVANEIOS À primeira vista parece até coisa de primeiro mundo: em vez de urubus, temos garças em devaneios aéreos sobre o aterro sanitário. Aliás, até o nome do local mudou de lixão para aterro como se a palavra e a imagem pudessem alterar as sensações do tato e olfato. Mas o monte de resíduos não transforma seus contornos, seu cheiro e a repulsa que sentimos dele. O que temos é o reflexo de nós mesmos, de algo que preferimos manter nos arrabaldes da cidade. É o acúmulo das décadas de ignorância que começa, acanhadamente, a mudar seus métodos. O desequilíbrio de habitats da garça e do homem precisa acabar. (Emerson Dias)





