O peso dos livros Um dia um artista escreveu que o mundo seria refém de um totalitarismo cientificista que, contraditoriamente, proibiria a disseminação de idéias através do papel. Os livros seriam então queimados a mando do Estado. Eles ainda circulam impunes por aí, apesar de fazer parte da vida de pouca gente. A elite intelectual, ávida por atualização de conhecimento, renova as prateleiras da biblioteca, como fez um advogado de Londrina esta semana. E lá estão os volumes, a serviço de uma causa social. Foram abastecer o estoque de um catador de papel do Novo Amparo. As idéias das obras não mudarão sua vida iletrada. O peso das páginas, sim, vão fazer o ponteiro da balança avançar. A biblioteca se transformará em arroz e feijão na panela. À brasileira, estamos garantindo distribuição de renda com concentração de cultura. (Lúcio Flávio Moura)

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