CENA
Histórias passageiras
Inverno de 1975. Entardecer. De tanto frio, Filó chega com as bochechas vermelhas no guichê. Duas malas, bolsa a tiracolo, as crianças choramingando, praticamente arrastadas. Pega a última passagem. Vai para Minas, onde o marido arrumou emprego. Está nervosa. Pensa na geada maldita. ''É castigo de Deus''.
Verão de 1959. As curvas de Brigite chamam a atenção. Avião na plataforma sete. Desce a escada, alguém suspira. Rastro de perfume francês. À noite, ela vai fazer carinho em um barão do café e convencê-lo a pagar uma passagem aérea da próxima vez.
1982. Zezão está incomodado com o sapato apertado. Fazia tempo que ele só usava chinelo. Tá com fome. O ônibus abre a porta. Bafo quente de dezembro. A saudade da Julinha aumenta. Ele olha os espigões. Logo estará no alto de um deles, pegando pesado na obra. Sente medo.
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Ônibus antigos estão expostos nas plataformas da velha rodoviária, hoje o Museu de Artes de Londrina. As histórias em torno deles estão bem guardadas. (Lúcio Flávio Moura)





