Continuaremos a ultrapassar o bom senso, atropelar a sensatez, correr da responsabilidade, colidir com o desespero. Semanas de trânsito se vão e os carros continuam a circular como se fossem armas letais pelas estradas do Brasil. Continuaremos a mutilar gente e a lotar prontos-socorros no feriadão. Continuaremos a nos estarrecer com ferros distorcidos e com motociclistas sem capacete. Profecia pesada esta, profecia difícil de esquecer, profecia de quem acredita que somos avançados apenas para produzir carros velozes, mas não para fazê-los trafegar de forma decente. Democracia em que não só não se respeita a liberdade do outro, mas a vida do outro. Será que contrariaremos este profeta pessimista? Duas certezas pelo menos: acidente de trânsito não rima com Brasil. Imprudência, negligência e inconsequência não rimam com desenvolvimento. (Lúcio Flávio Moura)

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