No último final de semana, o Cemitério São Paulo, em Londrina, localizado na Avenida do Café (região leste), foi praticamente saqueado 262 jazigos tiveram suas alças de metal, a maioria de bronze, furtadas. Os furtos aconteceram à noite quando não há vigilantes no local, assim como nos outros cemitérios municipais, o Padre Anchieta, no Jardim Ideal; o São Pedro, no centro; e o João 23, também no centro. O único que tem vigilância noturna é o cemitério Jardim da Saudade, na zona norte.
A população está com medo e revoltada. ''Chegamos lá no domingo e foi um susto, tinham roubado a argola de cobre do túmulo da minha sogra. É um absurdo isso, não respeitam a paz nem no cemitério. Acho que os mais culpados são as pessoas, donos de ferro-velhos, que compram o metal'', afirmou a dona de casa Leonilda Mello da Silva, 53 anos. ''Ontem meu marido esteve no cemitério São Paulo e verificou que o jazigo da família não foi roubado, mas a gente fica com medo, não tem segurança'', disse Valda Garcia, de 60 anos. O preço médio em ferros-velhos para compra de cobre é de R$ 2,80 o quilo, e do bronze, R$ 1,70 o quilo.
A superintendente da Autarquia de Serviços Especiais (Acesf) de Londrina, Cláudia Prochet, informou que dois seguranças vão ser contratados em caráter emergencial, até que uma licitação para contratação de empresa de segurança para todos os cemitérios fique pronta. Ela calcula que R$ 10 mil mensais serão gastos com a segurança noturna. ''É lamentável o que aconteceu, também houve casos de vandalismo no Cemitério Padre Anchieta. De julho para cá a frequência tem sido maior. Fizemos um registro da ocorrência no 2º Distrito Policial e vamos providenciar segurança'', afirmou. De acordo com ela, a Acesf não pode ser responsabilizada em ressarcir as famílias, segundo o decreto municipal 435/96.
Em junho, quando a Folha publicou matéria sobre reajuste de até 45% nos preços de serviços funerários, Cláudia Prochet ressaltou que a arrecadação é feita principalmente para a manutenção dos cinco cemitérios municipais, além do pagamento do quadro de 80 funcionários da Acesf e 22 da Frente de Trabalho, e gastos com os funerais gratuitos. A reportagem da Folha resultou na formação de Comissão Especial de Inquérito (CEI) na Câmara dos Vereadores, que investiga a cobrança abusiva de produtos e serviços.

mockup