Cemitérios públicos próximos do limite
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 19 de maio de 2009
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
Municípios de médio e grande portes do Estado estão com um urgente problema para ser resolvido: a falta de espaço para construção de jazigos nos cemitérios municipais. Com o passar dos anos, os cemitérios foram espremidos pelo aumento das cidades e hoje não têm mais para onde crescer, enquanto o número de sepultamentos só sobe. Nem quem comprou terreno no passado está tranquilo. Nos municípios contatados pela FOLHA, a situação beira a calamidade e a saída emergencial foi usar ruas internas, muros ou qualquer outra sobra de terra para atender as famílias.
Em Foz do Iguaçu (Oeste), as contas indicam que existem terrenos vagos nos cemitérios municipais até, no máximo, agosto. Cascavel, também no Oeste, derrubou um barracão e está usando canteiros e algumas ruas do Cemitério Parque São Luis para abrir novas vagas. Em Maringá (Noroeste), a Prefeitura licitou 1,4 mil vagas para atender a demanda dos próximos anos.
Mas um dos cenários mais críticos foi encontrado em Apucarana, município do Norte com 115 mil habitantes, onde são feitos entre 70 e 80 sepultamentos mensais. Construído no início da década de 1960, hoje nem o canteiro da rua principal do Cemitério Cristo Rei foi poupado. Árvores foram derrubadas para dar lugar a novos jazigos. As antigas ruas laterais há anos não existem mais. As fileiras de gavetas destinadas aos carentes também já precisam ser ampliadas. Até áreas entre árvores ou em frente de bueiros foram ocupadas. Outros problemas sérios são as muitas sepulturas abandonadas algumas delas com ossadas expostas e o acúmulo de lixo.
Com vários familiares sepultados no Cristo Rei, a aposentada Geni Soares, 69, visita o local desde 1965. As ruas eram largas, tinha laranjeiras e pés de manga. O túmulo da minha família era um dos últimos e hoje está espremido no meio dos outros. O caso de Terezinha Gonçalves, 66, é pior. O túmulo da família foi dividido em dois e uma das partes foi vendida sem permissão. Fiquei muito chateada porque tinha que ser pelo menos comunicada antes, criticou.
A superlotação fez com que uma professora aposentada (que não quis se identificar) entrasse com ação na Justiça questionando a iniciativa, que não teria preservado nem um pequeno gramado em frente ao jazigo da família. A professora enviou até carta à prefeitura mas de nada adiantou: Há uma verdadeira falta de respeito e responsabilidade das autoridades com quem tem seus entes queridos sepultados lá.
Aumento de óbitos
O superintendente da Autarquia de Administração dos Cemitérios e Serviços Funerários de Apucarana (Acesfa), Geraldo Ferreira, admitiu o uso de todo e qualquer espaço vazio, mas argumentou: A obra do cemitério particular foi embargada pelo Ministério Público há quatro anos. Se tivesse pronto, iria amenizar porque teríamos dois mil espaços públicos. Como isso não aconteceu, começamos a espremer no Cristo Rei e penso que dentro de seis meses não haverá mais vagas. Quando isso ocorrer, o cemitério do Distrito Rural de Pirapó, distante 12 km da cidade, será a única opção. Segundo Ferreira, outro fator que acelerou a ocupação dos cemitérios foi o aumento, nos últimos anos, dos óbitos relacionados, por exemplo, a acidentes e homicídios.
Sem dar detalhes, Ferreira destacou que a prefeitura irá construir outro cemitério municipal mas nem a área foi definida. Por outro lado, ele citou que as desapropriações de jazigos abandonados também não são uma alternativa rápida. Estamos pensando em desapropriar sepulturas abandonadas e lotes particulares que não foram construídos, mas isso depende de lei municipal, observou.
Sobre o problema das ossadas expostas, Ferreira disse que é fruto de vandalismo. Trocamos entre 60 e 80 lajes por mês, falou. Quanto ao lixo acumulado, ele garantiu que uma empresa será contratada para fazer a limpeza.


