Londrina - Geralmente relacionados com a morte, os cemitérios também são conhecidos no Brasil inteiro como um local que gera vida. Mas a vida que surge dali não é desejável. As recomendações técnicas para o controle da dengue pelo Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS) apontam que esses locais são considerados locais vulneráveis à proliferação do vetor da dengue, devido ao acúmulo de materiais que servem de criadouro para o mosquito Aedes aegypti. Por isso, são considerados pelo Ministério da Saúde como pontos estratégicos para o combate à doença.
As "mães" desses mosquitos depositam seus ovos em tudo o que abunda nas necrópoles: vasos, plantas artificiais, plásticos que envolvem os vasos, embalagens de velas, garrafas PET e copos plásticos, que tornam o ambiente propício para o acúmulo de água parada. Logo eles eclodem e os cemitérios passam de de "maternidade" de mosquitos para "berçário" de larvas. O ciclo de ovo para mosquito demora apenas 14 dias.
Segundo a coordenadora de endemias da Secretaria Municipal de Saúde, Diana Martins, mesmo com tantos elementos que contribuem para a proliferação do mosquito, Londrina conseguiu que houvesse uma redução de focos nos cemitérios. Parte desse bom resultado está relacionada à conscientização dos frequentadores, mas isso também se deve ao trabalho de servidores que atuam rotineiramente para eliminar os focos de mosquito. O mais recente Levantamento Rápido de Infestação do Aedes aegypti (LIRAa), divulgado dia 20 de janeiro deste ano apontou, que o maior número de focos foi encontrado nos quintais das residências e não em áreas públicas.
A presença de agentes de endemias fixos nos cemitérios de Londrina têm contribuído para a redução dos focos de mosquito Aedes aegypti nesses locais. Espaços como o João XXIII (área central) e São Paulo (zona leste) contam com funcionários da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), que há três anos foram cedidos à Prefeitura de Londrina para realizar o trabalho. Mas devido ao aumento dos casos de dengue na cidade e ao aumento do índice de infestação predial, eles poderão retornar às ruas. A decisão será anunciada pela Secretaria Municipal de Saúde nos próximos dias.
O Cemitério João XXIII, por exemplo, está há três meses sem registrar um foco de mosquito Aedes aegypti sequer. Um dos responsáveis pelo trabalho no local é o agente de endemias Pedro Delfim Moreira. Ele conta que permanece a semana inteira no local para inspecionar todos os vasos e outros locais que podem se tornar depósitos de água. "De tanto fazer a vistoria eu até decorei os pontos em que há uma tendência de acumular mais água. Geralmente são os vasos fixos, que não podem ser tombados. Eu elimino todos os depósitos. A situação está tão tranquila que dispensamos a necessidade de uso de venenos", afirma.
Moreira ressaltou que o trabalho é periódico e que a a situação está controlada, mas que o problema pode voltar se as inspeções deixarem de ser realizadas.
No São Paulo, o trabalho é feito pelo agente de endemias Sebastião Alexandre Ribeiro. Ele garante que há mais de um ano não são encontrados focos no local. "Temos contado com a colaboração dos visitantes, que têm jogado o lixo no lugar certo. Para a limpeza do cemitério, o quadro de funcionários da Acesf (Administração dos Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina) e os funcionários terceirizados têm deixado tudo em ordem. Eu também tenho contribuído realizando vistorias a cada chuva. O problema diminuiu muito desde que eliminamos todos os vasos fixos que existiam por aqui. Agora só são permitidos vasos que podem ser tombados para que não acumulem água", explica.
Nos demais cemitérios, a inspeção é realizada pelos próprios funcionários da Acesf e uma equipe de agentes de endemias do bairro circula pela área a cada 15 dias. Não há em nenhum outro espaço público o destacamento de agentes de endemias fixos.
No período de uma semana, o número de casos confirmados de dengue em Londrina praticamente dobrou. Na semana passada havia apenas 33 casos confirmados. Nesta semana foram registrados 64 casos e 544 notificações. O índice de infestação predial no município está em torno de 10%, dez vezes acima do tolerado pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

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